Justiça de São Paulo suspende edital para gestão privada de escolas municipais
Decisão liminar interrompe processo de parceria da Prefeitura com Organizações da Sociedade Civil para administrar três EMEFs; gestão municipal pretende recorrer.
Por Carmen Morales · 15 de ago. de 2026, 05:15

A Justiça de São Paulo, por decisão liminar do desembargador **Marcelo Semer**, suspendeu o edital lançado pela **Prefeitura de São Paulo** que propunha parcerias com **Organizações da Sociedade Civil (OSCs)** para gestão de três **Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs)**. O edital, publicado em julho, previa investimento de R$ 102,8 milhões ao longo de cinco anos, permitindo que as OSCs administrassem tanto atividades educacionais quanto não educacionais em escolas novas, localizadas nos bairros de **Parelheiros**, **Pedreira** e **Jaraguá**.
Entenda a suspensão do edital A paralisação do certame ocorre em meio ao impasse judicial provocado por ações movidas por sindicatos da educação – o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (**Sinpeem**) e o Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo (**Aprofem**). As entidades alegam que a medida configura terceirização da gestão pedagógica e administrativa das unidades escolares, ferindo princípios constitucionais e normas da educação pública brasileira.
O **Ministério Público (MP)** também entrou na Justiça questionando a legalidade da parceria. Para o MP, a transferência tanto da administração como da contratação de profissionais para as OSCs violaria normas como a regra do concurso público, o regime jurídico da educação pública e a valorização de profissionais da área. "O modelo proposto fere a gestão democrática do ensino e traz risco de manejo de recursos públicos fora dos parâmetros estabelecidos por lei", sustenta o órgão.
O desembargador Semer, ao atender o pedido do Ministério Público, optou por uma suspensão temporária para evitar medidas de difícil reversão, caso o processo avançasse. Ele destacou: "A suspensão é medida reversível, ao passo que atos praticados adiante seriam de difícil anulação". Não foi julgada a inconstitucionalidade do edital neste momento; a suspensão será mantida até análise mais aprofundada do assunto.
Posição da Prefeitura e próximos passos Em resposta, a gestão **Ricardo Nunes (MDB)** afirmou ainda não ter sido notificada oficialmente da decisão, mas garantiu que pretende recorrer. Segundo informou a **Procuradoria Geral do Município (PGM/SP)**, o modelo baseado em metas e resultados já tem precedentes, inclusive na administração de creches por OSCs. Entre as condições defendidas pela Procuradoria, estão a preservação do caráter público das escolas e o controle educacional pelas secretarias municipais.
No modelo proposto pelo edital, cada OSC selecionada receberia R$ 34 milhões durante cinco anos para gerir uma escola. Os professores seriam contratados via empresa gestora, mas teriam salários financiados pela Prefeitura – com valores previstos acima do piso nacional da categoria. A ideia não é nova: cerca de 70% dos Centros de Educação Infantil (CEIs) da capital paulista já funcionam em regime semelhante.
Repercussão A polêmica reacende discussões em torno da privatização e terceirização na rede pública de ensino. Parte dos educadores teme precarização das condições de trabalho e redução da transparência na utilização dos recursos públicos. Por outro lado, a Prefeitura reforça que a parceria é inovadora e busca melhores resultados educacionais.
A discussão segue nos tribunais e divide opiniões sobre os limites da atuação de OSCs na educação. O desfecho do caso pode influenciar modelos semelhantes em outras capitais brasileiras, com impacto direto nos rumos das políticas educacionais do país.
Fique por dentro das últimas notícias do Brasil em localpulsebrazil.com
Leia também
VídeoLuana Carvalho destaca qualidade de escola pública municipal da filha no Rio
há 20h
VídeoJustiça de SP suspende edital que privatizava gestão de escolas municipais
15 de ago. de 2026, 06:26
VídeoJustiça suspende edital de terceirização da gestão escolar em São Paulo
15 de ago. de 2026, 05:31