Ideb 2025: Paraná lidera avanços na educação enquanto SP e RJ freiam média nacional
Apesar da melhora no Ideb 2025, grandes estados reduzem ritmo do avanço educacional brasileiro.
Por Ana Castro · 13 de ago. de 2026, 07:15

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) registrou, em 2025, a maior pontuação da história em todas as etapas do ensino brasileiro. No entanto, a busca por qualidade segue desigual pelo país. Conforme análise de **Priscila Cruz**, presidente-executiva da organização **Todos Pela Educação**, estados de grande porte como **São Paulo** e **Rio de Janeiro** ainda limitam o ritmo do avanço nacional, na contramão de regiões como o **Paraná**, que figura como referência positiva nos resultados.
Evolução do Ideb em 2025 Segundo dados do **Ministério da Educação (MEC)**, o Ideb saltou de 5,7 para 6,1 nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, de 4,7 para 5,0 nos Anos Finais e de 4,1 para 4,3 no Ensino Médio — melhorando os índices históricos iniciados em 2005. Os Anos Iniciais atingiram o nível adequado de aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática, mas nos anos finais e no Ensino Médio o desafio permanece: alunos ainda estão, em média, abaixo do patamar recomendado, especialmente em Matemática.
O ciclo de 2025 marca também uma recuperação dos patamares pré-pandemia, com destaque para o crescimento do fluxo escolar (aprovação e progressão dos estudantes). Entretanto, parte da evolução está relacionada ao retorno do fluxo, e o país ainda precisa avançar na aprendizagem efetiva.
O papel dos estados: destaques e desafios O avanço foi mais homogêneo que em edições anteriores. Pela primeira vez, quase todas as redes estaduais apresentaram progresso simultâneo. O **Paraná** encerrou 2025 com o melhor Ideb e a mais alta aprendizagem nas três etapas avaliadas. Outros destaques positivos foram **Ceará**, **Goiás**, **Piauí** (maior evolução no Ensino Médio) e **Rio Grande do Sul**. Segundo Priscila Cruz, políticas que envolvem os governadores ou prefeitos diretamente e mantêm uma gestão estruturada e contínua são fatores comuns entre essas redes de sucesso.
Já **São Paulo** e **Rio de Janeiro**, responsáveis juntos por aproximadamente 30% das matrículas da Educação Básica, seguem pressionando as médias nacionais para baixo. **Priscila Cruz aponta que os resultados modestos desses estados impactam negativamente o avanço brasileiro como um todo**: "Quando Rio de Janeiro retrocede e São Paulo estagna, isso tem reflexo enorme na média nacional", destaca. Ela critica especialmente a falta de ousadia em políticas educacionais de São Paulo, que mesmo com recursos e estrutura, teve crescimento quase nulo no Ideb.
Impacto da gestão e perspectivas para o futuro Redes que obtêm melhores resultados têm em comum: acompanhamento direto dos gestores, planejamento estratégico, execução constante de políticas públicas e monitoramento contínuo dos indicadores escolares. Para Priscila Cruz, essas práticas, embora exijam esforço de longa duração e poucas vezes gerem repercussão política imediata, são o caminho para melhores índices.
Outro ponto relevante é a necessidade de atualização dos métodos de avaliação. O **Todos Pela Educação** propõe modernizar o Saeb e o Ideb, alinhando-os à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e aprimorando a medição de habilidades mais complexas dos alunos.
Para 2026, o desafio é não apenas aumentar taxas de aprovação, mas garantir aprendizagem efetiva em todas as regiões. "O maior obstáculo é execução, não desenho de políticas", aponta Priscila Cruz.
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