Sheila Hicks expõe arte têxtil em São Paulo e reflete sobre cor e espaço
Artista americana Sheila Hicks, referência mundial em arte têxtil, apresenta exposições inéditas em São Paulo.
Por Manuel Castro · 26 de ago. de 2026, 07:19

Sheila Hicks: arte, cor e espaço em duas grandes exposições em São Paulo
A consagrada artista norte-americana **Sheila Hicks** desembarca esta semana em São Paulo para mostrar ao público brasileiro duas exposições que celebram mais de seis décadas de trajetória dedicada à experimentação têxtil. Aos 92 anos, Hicks é considerada uma das maiores referências da arte contemporânea quando o assunto é cor, forma e textura, consolidando sua vanguarda em museus como MoMA e Pompidou. Agora, ela ocupa ao mesmo tempo a **Galeria Nara Roesler** e o **Instituto Tomie Ohtake** com trabalhos que percorrem sua evolução artística e sua conexão sensorial com os materiais.
Obras inéditas e retrospectiva no circuito paulistano
Na **Galeria Nara Roesler**, a mostra "Autobiografia de um Fio" traz cerca de vinte obras recentes e inéditas produzidas desde 2017. Entre os destaques, estão os monocromos têxteis que evocam a Bauhaus, pequenas composições que Hicks denomina "minimes" e as famosas "boules" – novelos densos que reúnem algodão, linho e seda de forma inovadora, além de guardarem segredos da artista, como objetos pessoais. É a primeira vez que Sheila Hicks realiza uma exposição individual em uma galeria brasileira. Toda a curadoria é de **Luis Pérez-Oramas**, referência em exposições internacionais e antigo curador da Bienal de São Paulo.
Paralelamente, o **Instituto Tomie Ohtake** abriga "O Que Que É Isso?", ocupando duas salas imponentes e reunindo peças dos últimos sessenta anos sem seguir uma ordem cronológica. O visitante encontra desde pequenas esculturas manuais até instalações em escala arquitetônica, numa montagem baseada na experiência do corpo no espaço – o público é convidado a interagir com a percepção de cor e textura. A exposição também recupera registros das viagens de Hicks pela América Latina na década de 1950 e exibe, lado a lado, têxteis da artista e obras andinas do MASP Landmann.
Reflexões sobre o Brasil, a arte e o futuro
Em suas visitas ao Brasil desde 1958, Sheila Hicks construiu vínculos com nomes lendários como **Oscar Niemeyer** e **Roberto Burle Marx** – uma troca que, segundo ela, expandiu sua visão sobre as possibilidades criativas. Hicks prefere não encaixar sua obra em rótulos tradicionais de arte, ressaltando que "a arte não precisa de passaporte", e destaca a vastidão e diversidade do Brasil como inspiração. Ela também reflete sobre o impacto das novas tecnologias e mantém a curiosidade sobre os rumos do mundo, reconhecendo o desafio de criar arte e se reinventar mesmo diante das incertezas globais.
Programação e experiências para o público
Ambas as exposições contam com publicação exclusiva desenvolvida em parceria entre o Instituto Tomie Ohtake e a Nara Roesler Books. A agenda da artista para a abertura ainda é incerta, mas a expectativa é de que o público possa encontrar em suas obras não apenas a excelência manual, mas também um convite ao diálogo sensorial e à descoberta.
As mostras já estão abertas ao público e devem movimentar o circuito cultural paulista nas próximas semanas, incentivando uma nova reflexão sobre o papel do têxtil na arte contemporânea e ampliando o contato com a produção internacional de alto nível.
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