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São Paulo: Demolições iniciadas e temor de desvalorização imobiliária

Gestão Tarcísio inicia demolições e moradores temem redução de indenizações.

Por Valeria Fernández · 15 de ago. de 2026, 05:20

A gestão do governador **Tarcísio de Freitas** (Republicanos) deu início às demolições de imóveis na região central de **São Paulo**, especificamente no bairro **Campos Elíseos**, para a construção da nova sede do governo estadual. Essa medida, anunciada como parte de um projeto de revitalização, gera preocupações entre os moradores do entorno, que temem pela desvalorização de suas propriedades e a falta de diálogo sobre as indenizações.

Demolições e Indenizações

Moradores do edifício **Henrique**, localizado nas proximidades, relatam que a retirada dos imóveis está acontecendo sem um planejamento claro sobre as compensações. O professor de música **Sérgio Solimando**, que vive na região há mais de uma década, observa com preocupação a escavadeira trabalhando no terreno, onde antes havia prédios residenciais. "As demolições estão avançando e não tivemos nenhuma conversa com o governo sobre o valor que receberemos", afirma.

De acordo com a **Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU)**, as demolições se concentram em prédios que já pertencem ao estado, com o intuito de evitar a degradação do local. Entretanto, a resistência dos moradores aumenta à medida que o governo não atende ao pedido de avaliações prévias dos imóveis, que poderiam garantir um ressarcimento adequado. A situação se torna mais delicada com a possibilidade de uma desvalorização imobiliária na área.

Temores e Contexto

O geógrafo **Silvio Monteiro de Lima**, que possui um apartamento no edifício **Princesa**, expressou sua preocupação com a depreciação de seu patrimônio. Para ele, o imóvel, que atualmente vale cerca de R$ 300 mil, pode perder ainda mais valor, o que tornaria impossível a compra de outra propriedade na mesma região após a demolição. "Estamos enfrentando um cenário em que a desvalorização é iminente, e a falta de comunicação do governo só piora a situação", lamenta.

Históricos de desapropriações na região revelam que, em 2017, a **Cohab** tentou aplicar um índice depreciativo, o chamado "fator favela", que resultou em ofertas de indenização muito abaixo do valor de mercado. A preocupação é que, com a área desocupada e sem vigilância, o fluxo de dependentes químicos retorne, o que poderia agravar ainda mais a desvalorização dos imóveis.

Medidas de Segurança

Em resposta às preocupações, a CDHU iniciou a vistoria cautelar dos prédios ainda não desapropriados. Contudo, os moradores hesitam em permitir a entrada dos peritos, temendo que danos estruturais causados pelas demolições não sejam adequadamente compensados. O advogado **Alex Lamartine Franco**, que representa os moradores, afirmou que o governo havia prometido avaliações individuais, mas estas nunca foram concretizadas.

A situação é complexa e reflete a tensão entre a necessidade de urbanização e os direitos dos moradores afetados.

Conclusão

Com as demolições já em curso, os moradores da região central de São Paulo permanecem apreensivos. A falta de diálogo e a iminência de desvalorização imobiliária são questões que precisam ser urgentemente abordadas pelo governo. Enquanto isso, a comunidade continua a lutar por uma solução justa e transparente para suas preocupações.

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