Grupos de vigilantes em Copacabana sob investigação após linchamento
A Promotoria investiga a atuação de grupos de vigilantes que agem na zona sul do Rio de Janeiro.
Por Sara Martínez · 24 de ago. de 2026, 05:14

Grupos de vigilantes em Copacabana: uma realidade alarmante
A recente morte de **Cláudio Rafael Landeiro**, 37 anos, após um linchamento em Copacabana, expôs uma preocupante realidade sobre a atuação de grupos de vigilantes e justiceiros na zona sul do Rio de Janeiro. Segundo informações da **Promotoria**, esses grupos têm agido há pelo menos três anos, atacando supostos criminosos e agredindo pessoas em situação de vulnerabilidade social.
O caso de Cláudio ocorreu no dia 12 de agosto, quando ele foi falsamente acusado de roubar uma bicicleta. Imagens de câmeras de segurança mostram um grupo de homens, incluindo seguranças, atacando Cláudio com um porrete, resultando em sua morte. A **Polícia Civil** já prendeu quatro envolvidos, mas a investigação continua para esclarecer o papel e a legalidade da atuação desses vigilantes.
Vigilância clandestina e justiça com as próprias mãos
Moradores de Copacabana relatam a existência de dois grupos distintos que operam na região. Um deles é composto por seguranças de estabelecimentos comerciais contratados para evitar que pessoas em situação de rua se aproximem dos clientes. Os relatos indicam que esses vigilantes utilizam força excessiva, incluindo porretes e armas de choque. A atuação ocorre principalmente em áreas com grande concentração de bares e restaurantes, como as ruas **Belford Roxo** e **Duvivier**.
O outro grupo, autodenominado **AGVC** (Anjos da Guarda Vigilância Comunitária), se apresenta como um movimento voluntário de vigilância, mas é acusado de promover espancamentos e agressões a quem considera suspeito. O fundador do AGVC, **William Correia**, é um político que, apesar de ter sido proibido pela Justiça de participar das atividades do grupo, continua a se manifestar nas redes sociais, defendendo suas ações como uma resposta à insegurança da população.
Repercussões e preocupações sociais
As investigações apontam para a possibilidade de que essas ações de vigilância sejam realizadas de forma clandestina e sem a devida autorização legal. **Ângelo Lages**, delegado da **12ª DP**, ressaltou que a legislação federal proíbe que empresas de segurança privada atuem em vias públicas. A situação é alarmante, especialmente considerando que os vigilantes frequentemente têm agido de forma violenta, como demonstrado pelos casos de agressões documentados.
Organizações de direitos humanos, como a **Rede Rio Criança**, expressam preocupação com a crescente violência e a normalização de práticas de linchamento. A representante da rede, **Marcia Gatto**, destacou que a atuação dos vigilantes não apenas coloca em risco a vida de inocentes, mas também alimenta um ciclo de violência que pode se intensificar.
A situação em Copacabana reflete um fenômeno que se repete em várias partes do Brasil, onde a insegurança e a falta de respostas eficazes por parte das autoridades têm levado à formação de grupos de vigilantes. A esperança é que as investigações em curso possam trazer à tona a verdade sobre essas ações e impedir que tragédias como a de Cláudio Rafael Landeiro se repitam.
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