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Política

São Paulo: Cidades-pêndulo desafiam PT em cenário eleitoral dominado pela direita

Estudo destaca papel estratégico de 145 cidades paulistas para futuro eleitoral do PT no estado.

Por Santiago Suárez · 13 de ago. de 2026, 09:31

Análise destaca força da direita e papel das cidades-pêndulo em São Paulo

Um estudo conduzido pelo **INCT Representação e Legitimidade Democrática**, vinculado à **Universidade Federal do Paraná (UFPR)**, escancara os desafios enfrentados pelo **Partido dos Trabalhadores (PT)** na disputa eleitoral do maior colégio eleitoral do país: o estado de São Paulo. O levantamento indica que, dos 645 municípios paulistas, 145 se enquadram como cidades-pêndulo, ou seja, localidades que alternaram vitórias entre candidatos de esquerda e direita nos segundos turnos presidenciais realizados entre 2002 e 2022.

Segundo a pesquisa, essas cidades-pêndulo concentram 13,97 milhões de eleitores, representando 41% de todo o eleitorado estadual. Esse cenário se torna estratégico para o PT, diante da sólida base eleitoral da direita paulista, que detém hegemonia ou dominância em 480 cidades — 74,4% dos municípios, englobando 19,72 milhões de eleitores (57,8%). Em contrapartida, o PT mantém posição de força em apenas 20 prefeituras, somando pouco mais de 415 mil votantes, o equivalente a 1,2% do total.

Região metropolitana ganha destaque e interior consolida direita

A dependência do partido pela região metropolitana é apontada como crítica. Apenas 18 das 145 cidades-pêndulo estão na Grande São Paulo, mas concentram impressionantes 12,85 milhões de eleitores, o que corresponde a 92% do eleitorado pendular estadual. Destacam-se municípios populosos como a própria capital, com 9,13 milhões de eleitores, além de São Bernardo do Campo, Osasco, Diadema e Mauá.

No interior e litoral do estado, 127 cidades alternaram vencedores, mas reúnem juntas apenas 1,11 milhão de eleitores (7,9% dos pendulares). O estudo reforça que polos como Ribeirão Preto, Campinas, São José dos Campos, Sorocaba, Bauru, São José do Rio Preto e Piracicaba consolidaram preferência eleitoral pela direita nos últimos pleitos.

Desafio para o PT e impacto nacional

De acordo com o pesquisador **Fábio Vasconcellos**, responsável pela análise, a dificuldade do PT é clara: "A direita já tem uma base eleitoral muito alta, ao contrário do PT, que tem pouquíssima dominância. Se o PT não conseguir vencer as cidades-pêndulo, a direita terá uma vitória esmagadora. Se conseguirem a vantagem nesses municípios, já ajuda a igualar a diferença".

O levantamento aponta ainda que a performance de candidaturas petistas ao governo paulista, como **Fernando Haddad**, pode influenciar decisivamente o desempenho de **Luiz Inácio Lula da Silva** na disputa nacional, dada a importância do estado no cenário eleitoral do país.

Estratégia e próximas etapas

Com esse retrato, as cidades-pêndulo, especialmente na Grande São Paulo, se tornam alvo estratégico para o PT tentar compensar a dominância da direita e equilibrar a disputa presidencial e estadual de 2026. A manutenção de apoio na capital e no ABC é vista como fundamental para qualquer avanço do partido. O tabuleiro está posto para uma disputa acirrada e decisiva.

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