São Paulo bate recorde de mortes de motociclistas em julho de 2026
Letalidade nas ruas paulistanas preocupa, apesar de ações de segurança da CET.
Por Hugo García · 18 de ago. de 2026, 09:26

A cidade de **São Paulo** registrou, em julho de 2026, o maior número de mortes de motociclistas desde o início da série histórica do sistema estadual **Infosiga**: foram 48 vidas perdidas em acidentes nas vias públicas da capital paulista. O número revela uma preocupante elevação na letalidade do trânsito, apesar de esforços realizados pela **Companhia de Engenharia de Tráfego (CET)** e medidas da gestão do prefeito **Ricardo Nunes (MDB)** para alertar e proteger este público vulnerável.
Aumento de mortes e ações do poder público
Entre janeiro e julho deste ano, São Paulo já contabilizou 286 mortes de motociclistas — quantitativo que supera todos os registros anteriores para o período desde 2015. Em resposta, a gestão municipal multiplicou letreiros e faixas informativas sobre a gravidade do problema em mais de 2 mil pontos, além de investir em iniciativas como a implantação de 233,3 km de **faixa azul** (sinalização exclusiva para motos) em 46 vias da cidade, beneficiando aproximadamente 500 mil motociclistas diariamente.
A CET também intensificou a criação de "bolsões de espera" para motos em mais de mil cruzamentos com semáforos, bem como campanhas educativas e cursos gratuitos no seu Centro de Treinamento, com o objetivo de ampliar a cultura de segurança viária. Estas medidas buscam minimizar o impacto de um trânsito cada vez mais carregado pela presença das motocicletas.
Fatores para o aumento das vítimas
Segundo levantamento do **Detran-SP**, a frota de motos na capital cresceu 5,7% nos primeiros seis meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 51.590 para 54.529 unidades novas emplacadas. Especialistas como o engenheiro de transportes Sérgio Ejzenberg alertam que, além do aumento do número de motos em circulação, a falta de fiscalização eficaz contribui para agravar o cenário. "A situação pode se complicar com relaxamentos nas exigências para habilitação de condutores", adverte o especialista.
Além das mortes de motociclistas, o número de ciclistas também subiu: foram 5 vítimas fatais em julho, totalizando 18 desde janeiro. Embora este dado seja inferior aos 28 óbitos registrados nos sete primeiros meses de 2024, chama atenção autoridades e sociedade civil para a necessidade de mais proteção aos usuários de modais alternativos.
Queda geral da letalidade no trânsito
Apesar da alta entre motociclistas e ciclistas, o panorama geral das fatalidades no trânsito paulistano apresenta uma leve tendência de queda: 86 mortes totais em julho deste ano contra 93 no mesmo mês de 2025, representando redução de 7,5%. O índice de mortes por atropelamento caiu ainda mais, com recuo de 32,4% no período. Já o acumulado de janeiro a julho mostra estabilidade: 575 mortes em 2026 frente a 576 em 2025.
O quadro operacional de fiscalização foi reforçado com a contratação de novos agentes por concurso público, ampliando o efetivo da CET para mais de 1.700 profissionais, em atuação conjunta com a **Polícia Militar** e a **Guarda Civil Metropolitana (GCM)**.
Próximos passos e desafios para o trânsito seguro
No estado, a curva das mortes de motociclistas também subiu levemente: foram 1.578 óbitos nos primeiros sete meses deste ano, alta de 1,1%. Apesar disso, o número geral de mortes no trânsito paulista caiu 5,5% em julho na comparação com 2025.
Os dados ligam o alerta para o impacto do crescimento da frota e da flexibilização de regras de trânsito, reforçando o desafio das políticas públicas para garantir segurança nas ruas. Novas estratégias educativas e de fiscalização seguem no radar.
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