Recuperação de obras de Matisse em São Paulo traz alívio ao mercado de arte
Oito gravuras do artista francês foram recuperadas após roubo em biblioteca.
Por Marcos Molina · 14 de ago. de 2026, 09:01

Oito gravuras do renomado artista francês **Henri Matisse**, que haviam sido furtadas em dezembro do ano passado da **Biblioteca Mário de Andrade**, em São Paulo, foram recuperadas pela polícia na última quinta-feira, 13 de agosto. As obras, avaliadas em cerca de **US$ 200 mil** (aproximadamente R$ 1 milhão), foram encontradas em uma residência em **São Bernardo do Campo** e um homem de 44 anos foi detido no local.
O roubo e a recuperação
No dia 7 de dezembro de 2022, um assalto audacioso ocorreu na biblioteca, onde dois ladrões renderam um segurança e um casal de idosos que visitava o local. Durante a ação, os criminosos fugiram levando as obras de arte pela entrada principal. O caso mobilizou as autoridades e, desde então, três pessoas já haviam sido presas em conexão com o crime. A operação da polícia resultou na captura de **João Paulo Linhares de Araújo**, que é considerado o responsável por armazenar as obras de arte.
Entretanto, a recuperação das gravuras de Matisse não apaga a preocupação em relação a outras cinco obras do artista brasileiro **Cândido Portinari**, que também foram levadas durante o roubo e permanecem desaparecidas. A polícia acredita que **Laéssio Rodrigues de Oliveira**, conhecido por sua atuação no submundo do roubo de arte, é o mentor do crime e está sob custódia desde abril.
A importância das obras
As gravuras de Matisse são parte de uma edição limitada do livro **Jazz**, enquanto as de Portinari foram criadas para ilustrar uma versão especial do romance **Menino de Engenho**, de **José Lins do Rêgo**. Ambas as obras faziam parte de uma exposição conjunta com o **Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM)**, que celebrava a conexão histórica entre as instituições. A exposição, intitulada **Do Livro ao Museu**, foi encerrada no dia do roubo.
**Marcia Iabutti**, historiadora da arte, destacou a grande importância cultural das obras, enfatizando que o roubo representa uma grande perda para o patrimônio artístico brasileiro. "As gravuras de Portinari, que fazem parte de uma série rara editada em 1959, revelam o estilo do artista, que mescla modernismo com influências clássicas em suas representações", comentou Iabutti.
Medidas de segurança e futuro das obras
Após o roubo, a segurança da Biblioteca Mário de Andrade foi significativamente reforçada. As autoridades também se mobilizaram para prevenir que as obras fossem enviadas ao exterior, acionando a **Interpol** e diversas instituições ligadas ao patrimônio artístico nacional. O objetivo foi dificultar o comércio ilegal das obras.
No passado, a biblioteca já enfrentou outro grande furto, em 2006, quando 12 gravuras do século 19 foram levadas, mas recuperadas anos depois. A história de furtos de arte em instituições culturais ressalta a necessidade urgente de segurança adequada e maior conscientização sobre a importância do patrimônio artístico como uma herança coletiva.
A recuperação das obras de Matisse é um triunfo, mas a luta para trazer de volta as obras de Portinari ainda continua. A comunidade artística brasileira espera que a polícia consiga concluir essa missão e restituir ao público a riqueza cultural que pertence a todos.
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