Uma quadrilha especializada em invadir casas de luxo no Rio de Janeiro foi alvo de uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Rio nesta quinta-feira (data não informada), no combate a crimes que assustaram proprietários de imóveis de alto padrão na capital fluminense. O grupo, segundo as autoridades, agia de forma altamente organizada: após selecionar vítimas por meio das redes sociais, passava a monitorar e analisar cuidadosamente ruas e rotinas das residências antes de definir a abordagem dos crimes.
Como agia a quadrilha no Rio de Janeiro
As investigações apontaram que o bando era dividido em funções específicas:
- Batedores: faziam reconhecimento dos locais e vigilância prévia;
- Motoristas: eram responsáveis pela locomoção e fuga da equipe;
- Puladores: invadiam fisicamente os imóveis;
- Homens do Pix: coagiam as vítimas durante o assalto a transferir grandes somas de dinheiro para contas laranjas da quadrilha.
Em um dos casos mais graves investigados, uma vítima foi forçada sob ameaça a transferir mais de R$ 100 mil para contas indicadas pelo grupo, utilizando o sistema do Pix.
Operação policial e desdobramentos
Durante as ações recentes, a Polícia Civil cumpriu mandados nos bairros do Andaraí, Água Santa e no Morro do 18 (Zona Norte do Rio), além de outros pontos mapeados pelo avanço das investigações. Uma das operações resultou na morte de Victor Santana dos Reis e em duas prisões. Até o momento, seis pessoas já foram detidas por participação nos crimes.
A quadrilha teve como chefe Márcio de Oliveira Lourenço, o Bebel, que comandava o esquema de dentro do Complexo de Gericinó, na Zona Oeste, usando aparelhos celulares em situação irregular. Ele selecionava vítimas por redes sociais e coordenava a ação por videochamada.
Pix como arma do crime e prejuízo milionário
Além de roubarem joias, relógios e objetos de luxo, os criminosos inovavam ao coagir vítimas a transferirem elevados valores via Pix. Segundo a Polícia Civil, apenas com joias, o grupo teria movimentado mais de R$ 200 mil em seus crimes.
O trabalho conjunto com a Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas) foi fundamental para mapear os deslocamentos dos carros usados pela quadrilha. Imagens das câmeras municipais apontaram que os veículos circulavam especialmente durante a madrugada por bairros como Lagoa, Gávea, Rio Comprido e Tijuca.
Ações e prisões recentes
No caso mais recente, em 3 de agosto, vítimas em São Conrado foram mantidas sob cárcere privado por cerca de três horas, enquanto eram obrigadas a efetuar transferências bancárias, totalizando R$ 30 mil. A partir daí, a polícia prendeu Ariadny Martins Soares, principal destinatária dos Pix, e Luiz Paulo Soares Flores, considerado um dos operadores das transações. Outro integrante, Jhosef Natan Barbosa Alves, foi capturado ao tentar vender carros utilizados nos crimes.
A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que o líder do grupo foi transferido para isolamento em Bangu 1 e que tramita pedido para envio ao sistema penitenciário federal.
Repercussão e próximos passos
A série de prisões e o desmantelamento da quadrilha reavivaram o debate sobre segurança em áreas nobres do Rio de Janeiro. Moradores reforçaram medidas preventivas e a polícia trabalha para dissipar completamente o grupo. O caso serve de alerta para os riscos da exposição excessiva em redes sociais e para a necessidade de coordenação entre órgãos de segurança pública.
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