Polícia Federal investiga delegado acusado de repassar dados sigilosos
Operação Sinon apura vazamento de informações da PF e movimentação de R$ 28 milhões.
Por Adriana Ruiz · 20 de ago. de 2026, 08:32

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (19) a **Operação Sinon** para investigar um delegado de sua própria corporação, suspeito de vazar informações sigilosas de investigações em troca de vantagens financeiras. O alvo principal da investigação é **José Navas Júnior**, que atuava na unidade de Marília, no interior de São Paulo, e é acusado de acessar sistemas internos da PF para consultar dados sobre pessoas e procedimentos sob investigação.
Entenda o caso e como atuava o esquema
De acordo com a Polícia Federal, o delegado consultava informações privativas nos sistemas corporativos e as repassava de forma indevida aos próprios investigados. Os empresários interessados teriam pago intermediários, entre eles advogados, para obter os dados sensíveis, que depois eram repassados ao delegado de forma parcelada e por meios que buscavam disfarçar a origem do dinheiro. O montante movimentado por Navas Júnior chamou a atenção dos investigadores: foram mais de **R$ 28 milhões entre 2020 e 2025**, segundo análise de entradas e saídas de recursos em suas contas.
Operação envolve vários estados e setores
Na manhã de quarta-feira, a Polícia Federal cumpriu oito mandados de busca e apreensão nas cidades de **São Paulo** e no **Rio Grande do Sul**. Além de José Navas Júnior, advogados que teriam atuado como intermediários nos pagamentos e empresários que buscavam informações sigilosas também são alvo da apuração. Segundo a PF, o fluxo de informações favorecia principalmente organizações criminosas envolvidas no contrabando de cigarros, que conseguiam antecipar-se a ações policiais e, assim, driblar buscas e apreensões.
Os mandados foram expedidos pela **1ª Vara Federal de Marília (SP)**, que ainda determinou o bloqueio e sequestro dos bens do delegado, além de lhe impor medidas cautelares, como a suspensão imediata de sua função pública e a proibição de acessar qualquer sistema ou dependência da Polícia Federal.
Consequências para a investigação e para a segurança
Os investigadores apontam que os vazamentos permitiam que investigados tomassem medidas para frustrar diligências e escapassem da ação policial. Com isso, procedimentos foram prejudicados e organizações criminosas podem ter sido beneficiadas diretamente. Entre os crimes apurados estão: violação de sigilo funcional, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e embaraço à investigação de organização criminosa.
A defesa de José Navas Júnior ainda não foi localizada pela reportagem. A Polícia Federal anunciou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos, rastrear o destino dos recursos e dimensionar o impacto efetivo dos vazamentos para as operações policiais que possam ter sido comprometidas.
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