A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (19) a Operação Sinon para investigar um delegado de sua própria corporação, suspeito de vazar informações sigilosas de investigações em troca de vantagens financeiras. O alvo principal da investigação é José Navas Júnior, que atuava na unidade de Marília, no interior de São Paulo, e é acusado de acessar sistemas internos da PF para consultar dados sobre pessoas e procedimentos sob investigação.
Entenda o caso e como atuava o esquema
De acordo com a Polícia Federal, o delegado consultava informações privativas nos sistemas corporativos e as repassava de forma indevida aos próprios investigados. Os empresários interessados teriam pago intermediários, entre eles advogados, para obter os dados sensíveis, que depois eram repassados ao delegado de forma parcelada e por meios que buscavam disfarçar a origem do dinheiro. O montante movimentado por Navas Júnior chamou a atenção dos investigadores: foram mais de R$ 28 milhões entre 2020 e 2025, segundo análise de entradas e saídas de recursos em suas contas.
Operação envolve vários estados e setores
Na manhã de quarta-feira, a Polícia Federal cumpriu oito mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e no Rio Grande do Sul. Além de José Navas Júnior, advogados que teriam atuado como intermediários nos pagamentos e empresários que buscavam informações sigilosas também são alvo da apuração. Segundo a PF, o fluxo de informações favorecia principalmente organizações criminosas envolvidas no contrabando de cigarros, que conseguiam antecipar-se a ações policiais e, assim, driblar buscas e apreensões.
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Federal de Marília (SP), que ainda determinou o bloqueio e sequestro dos bens do delegado, além de lhe impor medidas cautelares, como a suspensão imediata de sua função pública e a proibição de acessar qualquer sistema ou dependência da Polícia Federal.
Consequências para a investigação e para a segurança
Os investigadores apontam que os vazamentos permitiam que investigados tomassem medidas para frustrar diligências e escapassem da ação policial. Com isso, procedimentos foram prejudicados e organizações criminosas podem ter sido beneficiadas diretamente. Entre os crimes apurados estão: violação de sigilo funcional, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e embaraço à investigação de organização criminosa.
A defesa de José Navas Júnior ainda não foi localizada pela reportagem. A Polícia Federal anunciou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos, rastrear o destino dos recursos e dimensionar o impacto efetivo dos vazamentos para as operações policiais que possam ter sido comprometidas.
Fique por dentro das principais notícias do Brasil em localpulsebrazil.com

