O festival Doce Maravilha, realizado no Jockey Club Brasileiro, na zona sul do Rio de Janeiro, trouxe um momento raro e especial no sábado, dia 8 de agosto. Após o cancelamento do primeiro dia do evento devido a ventos fortes, os fãs puderam finalmente desfrutar das apresentações que celebram a rica cultura musical brasileira.
A programação do dia começou com apresentações de artistas como Amanda Magalhães e Chico Chico, que revisitaram a obra de Belchior. Em seguida, o aclamado Cortejo Afro subiu ao palco, celebrando a cultura baiana com a participação de Luedji Luna e da ministra da Cultura, Margareth Menezes. Este grupo, ativo desde 1998 e ligado ao terreiro de candomblé Ilê Axé Oyá, trouxe ao público uma mistura vibrante de percussão e clássicos do samba, como “Faraó, Divindade do Egito”.
A expectativa aumentou quando a noite chegou e Leci Brandão fez sua primeira apresentação após o pôr do sol, prestando homenagem ao rap brasileiro ao convidar Rappin' Hood para uma performance conjunta, celebrando a relevância do gênero na cena musical nacional. Contudo, os olhares estavam voltados para o clímax da noite: o encontro entre Paulinho da Viola e Maria Bethânia.
Este reencontro, mais de 50 anos depois da única turnê que realizaram juntos, foi marcado pela simplicidade e elegância de Paulinho, que, acompanhado de seu cavaquinho e violas, homenageou grandes nomes do samba, como Paulo da Portela e Martinho da Vila, projetando suas imagens em um telão. O repertório inicial de Paulinho incluiu clássicos como “Argumento” e “Pecado Capital”, criando uma atmosfera nostálgica.
A entrada de Maria Bethânia no palco foi um dos momentos mais esperados da noite. Com sua presença marcante, ela encantou o público com “Falsa Baiana”, uma canção de Geraldo Pereira. A conexão entre os dois artistas foi palpável, mesmo sem registros inéditos de colaborações, tendo Bethânia interpretado algumas composições de Paulinho em álbuns passados. Juntos, eles emocionaram a plateia com sucessos como “Desde que o Samba É Samba” e “As Canções Que Você Fez Para Mim”.
O festival continuou a ressoar com a energia do público até o final, onde a participação de Bethânia foi encerrada com “Foi um Rio que Passou em Minha Vida”, deixando a plateia em êxtase. Paulinho, por sua vez, finalizou sua apresentação com “Timoneiro”, expressando sua emoção pelo reencontro ao público.
O Doce Maravilha não apenas homenageou a música popular brasileira, mas também a história e a cultura que moldam essa arte tão rica. O festival prossegue no domingo com mais shows, incluindo Falamansa e Caetano Veloso, prometendo mais momentos inesquecíveis para os amantes da música brasileira.
