Padre Júlio Lancellotti vence ação e Gentili deve pagar R$ 10 mil por danos morais
Padre Júlio Lancellotti ganha ação judicial contra o humorista Danilo Gentili por conteúdo considerado difamatório.
Por Lucía Jiménez · 20 de ago. de 2026, 06:18

Padre Júlio Lancellotti recebe indenização após vitória em ação de danos morais
O **Padre Júlio Lancellotti**, conhecido nacionalmente pelo trabalho à frente da Pastoral do Povo da Rua em São Paulo, conquistou uma vitória importante na Justiça contra o humorista **Danilo Gentili**. Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que o apresentador deverá pagar ao religioso uma indenização de **R$ 10 mil** por danos morais. Gentili ainda pode recorrer da sentença.
Processo envolve acusações de difamação e conteúdo homofóbico
De acordo com informações do processo, a decisão foi proferida em 6 de agosto. O pedido do padre referia-se a postagens reiteradas feitas por Gentili, incluindo piadas e imagens manipuladas, algumas delas geradas por inteligência artificial, consideradas "caluniosas, difamatórias e de natureza homofóbica" por Lancellotti. Especial destaque foi dado a um texto publicado na coluna "Não é Imprensa!", mantida por Gentili na plataforma Substack, onde o padre era chamado de "padre da Linguiça". Após a decisão judicial, o texto saiu do ar.
O processo visava exclusivamente o colaborador e não o veículo. O humorista já havia vencido um processo anterior movido por Lancellotti, mas desta vez o padre conseguiu obter a decisão favorável. O caso tramita sob segredo de Justiça.
Repercussão e fala do padre sobre o objetivo pedagógico da ação
O próprio Padre Júlio destacou em entrevista ao portal UOL que a intenção da ação era provocar um efeito pedagógico diante do teor ofensivo das publicações. O religioso informou ainda que o valor da indenização será revertido para as ações sociais da Pastoral do Povo da Rua.
Durante a audiência de conciliação, teria sido oferecido um acordo de R$ 8 mil, mas Danilo Gentili optou por não aceitar e seguir com o processo. O padre relacionou sua postura à doutrina teológica do Padre José Comblin, enfatizando a importância de evitar palavras que magoem ou que possam ser interpretadas como preconceituosas.
> “Não posso dizer coisas que magoem. Não podemos dizer coisas que magoem uma pessoa velha, não podemos dizer uma coisa homofóbica. A gente pode perdoar, e perdoar é não fazer igual. Mas quem destrói os outros de maneira sistemática tem que receber uma limitação”, enfatizou Lancellotti durante a entrevista.
Caminhos legais e repercussão
A defesa de Danilo Gentili ainda não se pronunciou publicamente sobre a decisão, mas o espaço segue aberto em caso de manifestação. A sentença ainda permite recurso e pode ser revertida em instâncias superiores.
**Padre Júlio Lancellotti** é uma figura marcante na vida social paulistana, tendo protagonizado diversos debates em torno dos direitos das populações mais vulneráveis. Não raro, ele é alvo de polêmicas e enfrentou também uma CPI na Câmara Municipal de São Paulo sobre a atuação da Pastoral na região da Cracolândia, mas a comissão perdeu apoio e acabou sem resultados práticos.
A decisão reflete o debate crescente sobre os limites do humor, liberdade de expressão e os impactos de ataques virtuais, trazendo à tona a importância de uma comunicação responsável, sobretudo com figuras públicas e causas sociais.
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