Pular para o conteúdo
AgoraSão Paulo FC: ônibus apreendido na Bolívia com 86 kg de maconha
Economia

Novas regras do Campo de Marte impõem desafios à construção civil em São Paulo

Protocolos do aeroporto aumentam exigências para projetos imobiliários e preocupam setor construtivo paulista.

Por Paco Ríos · 21 de ago. de 2026, 14:26

Desde o início deste ano, a implementação de novas regras operacionais no **Aeroporto Campo de Marte**, localizado na zona norte de São Paulo, impôs mudanças consideráveis no setor de construção civil da capital e de cidades vizinhas. As alterações ampliaram o raio de restrições para a altura de prédios, exigindo que mais projetos imobiliários sejam analisados de forma rigorosa pela **Força Aérea Brasileira (FAB)**.

Contexto das novas regras do Campo de Marte A medida faz parte de um esforço para ampliar a capacidade de voos do Campo de Marte. Anteriormente restrita a construções até 2,5 km do aeroporto, a zona de análise agora se estende para 3,5 km, com novos parâmetros de altitude limite. Além disso, todas as obras em um raio de 20 km que superem os 828 metros acima do nível do mar precisam, obrigatoriamente, passar pela aprovação detalhada da FAB. Essas mudanças, resultantes do processo de concessão do aeroporto e que visam permitir operações por instrumentos (IFR), foram estabelecidas para garantir a segurança dos voos, mesmo em condições adversas, mas têm provocado apreensão no âmbito imobiliário e municipal.

Reação do setor imobiliário e da Prefeitura de São Paulo Segundo balanço da **FAB**, após as novas regras, o percentual de projetos submetidos a análises detalhadas aumentou ligeiramente: saltou de 12% para 13% das solicitações. No entanto, entidades do setor imobiliário, como a **Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc)** e o **Secovi-SP**, manifestaram preocupação com possíveis atrasos e aumento de custos decorrentes da burocracia. Estudos do próprio setor estimam que essas exigências podem gerar impactos financeiros de até R$ 2,7 bilhões ao ano, considerando os juros sobre o capital durante a espera por aprovações.

A **Prefeitura de São Paulo** também critica a mudança. Em nota, destaca que o estudo sobre os impactos ainda não foi divulgado, mas já observa limitações em áreas estratégicas para o crescimento da cidade, especialmente onde o Plano Diretor estimula a verticalização próxima a eixos de transporte público. A administração municipal lamenta a falta de consulta prévia e teme que a medida contrarie diretrizes urbanas de moradias próximas ao transporte.

O que muda na prática para construtoras As alterações implicam que grande parte dos novos empreendimentos residenciais e comerciais precisará de aval específico da Aeronáutica. A análise considera não apenas a altura do prédio, mas também o relevo do terreno, criando situações em que edifícios de poucos andares, porém em bairros elevados, estarão sujeitos às restrições. A aprovação pode demorar meses, comprometendo prazos de entrega, custos e a dinâmica do setor imobiliário.

Próximos passos e debate em andamento O CEO da PAX Aeroportos, concessionária do Campo de Marte, argumenta que as restrições são pontuais e destaca mecanismos como o "efeito sombra" para flexibilizar a análise de novos empreendimentos próximos a prédios já existentes. O **Ministério de Portos e Aeroportos**, por sua vez, ressalta que o contrato foi discutido em consulta pública e defende a segurança que o IFR traz à aviação.

Entidades como o Secovi-SP avaliam até recorrer à Justiça, caso não haja revisão das regras. O diálogo entre prefeitura, FAB, concessionária e representantes do setor continua em busca de soluções que equilibrem segurança aérea com o desenvolvimento urbano da cidade.

O impacto dessas mudanças segue sendo acompanhado de perto por empresários, investidores, autoridades e pela população paulista. Para informações sempre atualizadas sobre o setor imobiliário e infraestrutura brasileira, continue acompanhando localpulsebrazil.com

Leia também

Campo de Marte: novas regras criam desafios para construção civil | Local Pulse Brazil