MP-SP apura acordo do Corinthians com plataforma Fatal Fans visando proteção de menores
Ministério Público de São Paulo investiga riscos do patrocínio da Fatal Fans ao Corinthians para crianças e adolescentes.
Por Claudia Ríos · 15 de ago. de 2026, 07:03

O **Ministério Público de São Paulo (MP-SP)** abriu uma investigação formal para apurar possíveis riscos à proteção de crianças e adolescentes no patrocínio firmado entre o **Corinthians** e a plataforma de conteúdo adulto **Fatal Fans**. O contrato entre o clube paulista e a empresa passou a valer no final de junho de 2026 e rapidamente gerou debates nos meios esportivo e jurídico.
O que motivou a investigação? A atuação do MP-SP, conduzida pelo **promotor Santiago Miguel Nakano Perez**, da Promotoria da Infância e Juventude da Capital, tem como foco central saber se o patrocínio pode expor menores de idade a conteúdos impróprios ou ferir normas do Estatuto da Criança e do Adolescente. Um dos pontos principais do inquérito é analisar de que maneira a marca Fatal Fans aparece nos canais oficiais do Corinthians, incluindo site, redes sociais e eventos esportivos.
Além do clube, a empresa **FF Tecnologia Ltda.**, responsável pela plataforma, também é alvo da investigação. Segundo o MP-SP, o inquérito foi aberto oficialmente em 12 de agosto de 2026 e conta com a solicitação de análise técnica das aparições publicitárias, participando inclusive a **Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)** para verificar possíveis irregularidades no tratamento de dados dos usuários.
Medidas adotadas pelo Corinthians A assessoria de imprensa do clube afirmou que colabora com o inquérito e tomou precauções antes mesmo da assinatura do contrato. Entre as principais restrições estabelecidas pelo Corinthians para minimizar riscos estão:
- Exclusão da marca Fatal Fans das categorias de base do futebol;
- Proibição de associação direta entre jogadores e a plataforma;
- Fiscalização interna sobre as peças e ações publicitárias vinculadas ao patrocinador.
O clube também precisa apresentar ao MP documentos completos do acordo, como contrato integral, plano de mídia, calendário de ativações e detalhamento das medidas protetivas implementadas.
Impactos e próximos passos O contrato, assinado em 28 de junho de 2026, prevê o pagamento de **R$ 22 milhões ao Corinthians até dezembro de 2027**, com possibilidade de extensão para **R$ 31 milhões**. A marca Fatal Fans já aparece no futebol masculino, basquete e futsal do clube, mas não nas bases, seguindo as restrições iniciais.
O Ministério Público quer avaliar a suficiência das regras adotadas pelo Corinthians e se estão sendo, de fato, cumpridas. A Fatal Fans deverá apresentar também documentos que comprovem avaliações de segurança, controle de acesso por idade e medidas para garantir a proteção de crianças e adolescentes.
Até o momento, a empresa responsável pela plataforma não emitiu manifestação oficial sobre o inquérito. O caso permanece aberto e novas informações poderão ser divulgadas conforme o andamento do processo.
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