Mapa UrbVerde revela desigualdade das ilhas de calor entre bairros de São Paulo
Nova plataforma mostra como falta de áreas verdes agrava calor nas regiões periféricas e vulneráveis da capital.
Por Alfredo Díaz · 14 de ago. de 2026, 14:32

Plataforma UrbVerde mapeia desigualdade do calor em São Paulo
**São Paulo** enfrenta um cenário preocupante devido ao fenômeno das ilhas de calor, que afetam principalmente bairros de menor renda onde a cobertura vegetal é limitada. O alerta vem da plataforma **UrbVerde**, desenvolvida em parceria entre pesquisadores da **Universidade de São Paulo (USP)**, **Universidade Lusófona**, **Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)** e **Universidade Federal da Bahia (UFBA)**, com o objetivo de fornecer informações detalhadas sobre clima urbano à população e ao poder público.
O que é a ilha de calor e quem é mais afetado
Ilhas de calor são áreas urbanas onde a temperatura é significativamente mais alta do que a média do município. Esse fenômeno resulta, principalmente, da grande concentração de concreto e asfalto, pouca presença de áreas verdes e intensa atividade humana. Bairros da periferia, como Capão Redondo, Paraisópolis, Heliópolis e Jardim Ângela, estão entre os mais prejudicados, com temperaturas de superfície que chegam a ultrapassar 42°C em picos de calor.
Já bairros como Morumbi, Jardim Paulista e Alto de Pinheiros, na zona oeste da capital, beneficiam-se de ampla vegetação, o que contribui para um ambiente mais fresco e melhor qualidade de vida. O estudo realizado pela UrbVerde mostra que a diferença média de temperatura de superfície entre bairros ricos e bairros mais pobres em São Paulo pode ultrapassar 10°C.
Impacto das desigualdades ambientais
De acordo com **Marcel Fantin**, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP em São Carlos e coordenador da UrbVerde, as regiões de menor renda apresentam os piores índices de calor urbano, agravados pela presença de idosos e crianças, grupos mais vulneráveis aos extremos de temperatura. Além do desconforto, a onda de calor pressiona hospitais, piora a qualidade do ar e eleva riscos de acidentes climáticos, como inundações e deslizamentos.
As favelas e bairros adensados, privados de parques e praças, tornam-se pontos críticos diante das alterações climáticas. Segundo Fantin, “quanto menor a renda, menor é o acesso a áreas arborizadas”, resultando em bairros mais concretados e suscetíveis à elevação das temperaturas.
Soluções e resposta do poder público
A **Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo** comunicou que, desde 2021, seis parques foram inaugurados em bairros como Paraisópolis, Santo Amaro e Santa Cecília, e outros seis estão a caminho, incluindo regiões do Sapopemba e São Mateus. Em 2024, 32 áreas verdes particulares foram declaradas de utilidade pública, principalmente em periferias. Destaca-se ainda o plantio de mais de 85 mil árvores no último ano, concentrando esforços em áreas de maior risco térmico como São Mateus e Capela do Socorro.
O poder público sinaliza também a elaboração de políticas para prevenção e adaptação frente às mudanças climáticas, como o Plano de Ação Climática e a Secretaria de Mudanças Climáticas, visando a implementação de soluções baseadas na natureza, com incentivo à mobilidade ativa e transportes de baixa emissão.
Avanço da plataforma e próximos passos
A UrbVerde cobre todos os municípios paulistas com dados de 2016 a 2021, cruzando informações de temperatura, cobertura vegetal, renda e presença de áreas de lazer. Os pesquisadores pretendem até o fim de 2024 expandi-la para todo o Brasil, o que permitirá a cidades de diferentes regiões identificar pontos críticos e planejar políticas urbanas mais justas.
Enquanto isso, São Paulo segue enfrentando ondas de calor cada vez mais frequentes, com seus efeitos mais severos recaindo sobre quem tem menos acesso ao verde. A busca por soluções urbanas, como novos parques, jardins de chuva e transporte sustentável, é urgente para amenizar essas desigualdades e promover bem-estar para toda a população.
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