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Sociedade

Ligue 180 tem aumento de 90% nos atendimentos a mulheres em 2026

Serviço federal registra salto em pedidos de informação e denúncias de violência de gênero.

Por Hugo García · 20 de ago. de 2026, 08:03

O serviço federal Ligue 180, referência nacional no atendimento a mulheres vítimas de violência, apresentou uma alta expressiva de 90,8% no número de atendimentos realizados nos primeiros sete meses de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025. Entre janeiro e julho deste ano, foram 1.035.647 atendimentos em todo o país, superando consideravelmente os 542.737 registros do ano passado.

O crescimento dos pedidos de informação A ampliação no volume foi puxada, principalmente, pelos pedidos de informação sobre a rede de proteção e direitos das mulheres, que saltaram de 361.475 para 872.257 – um crescimento significativo de 141,3%. Segundo o **Ministério das Mulheres**, esse aumento não indica, necessariamente, que há mais casos de violência ocorrendo, mas sim que a confiança no serviço está em ascensão e mais mulheres estão rompendo com o silêncio.

De acordo com a **Estela Bezerra**, secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, "o serviço está sendo reconhecido e, por outro lado, há indícios de que as mulheres estão buscando ajuda porque conhecem e confiam no 180. Isso pode indicar também que estão rompendo com o silenciamento".

Perfil dos atendimentos e desafios Além dos pedidos de informação, o Ligue 180 registrou 98.705 denúncias formais de violência de gênero, número 15% maior que o do mesmo período do ano anterior. Destacam-se ainda 63.478 orientações e encaminhamentos à rede de serviços, além de 1.207 manifestações diversas.

Entre os temas de orientação, 462.919 solicitações (44,7% do total) eram pedidos sobre como acessar a rede de proteção. Outras 200.989 buscas se referiam ao funcionamento do próprio Ligue 180, e 132.042 tratavam de políticas e campanhas institucionais.

O levantamento também mostra que a maior parte das denúncias feitas em 2026 corresponde à violência psicológica, com 35.284 registros (35%). Em seguida, aparecem violência doméstica sob a **Lei Maria da Penha** (24.273), violência física (18.134), violência moral (14.635) e patrimonial (8.239).

Distribuição regional e integração dos serviços São Paulo lidera o ranking de atendimentos, com 106.552 ligações, seguida pelo Rio de Janeiro (64.670), Minas Gerais (42.439), Bahia (28.143) e Rio Grande do Sul (17.989). O Ministério das Mulheres mantém acordos de cooperação técnica com 19 estados brasileiros para integrar a resposta do Ligue 180 a órgãos locais, acelerando encaminhamentos e acompanhamento dos casos.

No entanto, a secretária Estela Bezerra ressalta que ainda existe desigualdade no acesso ao atendimento e à proteção em diversos municípios, especialmente onde faltam Delegacias da Mulher e serviços especializados. "É fundamental fortalecer a articulação entre saúde, assistência, educação e segurança, especialmente em cidades de até 100 mil habitantes", defende.

Próximos passos e impacto social As estatísticas do Ligue 180 revelam uma mudança importante: mulheres estão cada vez mais identificando situações de violência psicológica e moral como graves e passíveis de denúncia, rompendo barreiras históricas de silenciamento. O desafio agora é garantir que a ampliação da procura por ajuda resulte em respostas mais eficazes e abrangentes por parte do poder público.

O Ligue 180 é uma ferramenta essencial para orientar e proteger mulheres em situação de violência, especialmente diante do aumento das demandas. Para denúncias, informações ou orientações, o canal está disponível 24 horas, de forma gratuita e confidencial.

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