Justiça impede construção de prédio na Pompeia por causa de nascentes
Decisão judicial proíbe a edificação após laudos confirmarem a presença de nascentes na região.
Por Eva Fernández · 13 de ago. de 2026, 07:50

A recente decisão da Justiça de São Paulo que barrou a construção de um prédio de 22 andares na **Pompeia** traz à tona questões importantes sobre a proteção ambiental em áreas urbanas. A determinação foi tomada após a análise de laudos que confirmaram a presença de nascentes na região, especificamente na **Praça Homero Silva**, também conhecida como Praça da Nascente.
Contexto local
O imbróglio teve início há mais de uma década, envolvendo a **Prefeitura de São Paulo**, o **Ministério Público** e a construtora **Exto Terra**. Os moradores locais alegam que a edificação, projetada para o número 2.195 da Avenida Pompeia, não deveria ser autorizada devido à preservação das nascentes. A Prefeitura, por sua vez, defende que não há evidências de nascentes no local e que a área não está classificada como Área de Proteção Permanente (APP).
Os laudos periciais, elaborados por engenheiros indicados pelo juiz **Luis Eduardo Medeiros Grisolia**, identificaram a presença de nascentes a apenas 1,40 metro do terreno onde o prédio seria construído. Os especialistas alertaram que a realização da obra poderia secar ou desviar os afloramentos existentes, comprometendo o ecossistema local.
Declarações de autoridades
A **Prefeitura de São Paulo** argumentou que os pontos de água encontrados são resultado do acúmulo de chuvas, não tendo ligação com o lençol freático. Em resposta à decisão judicial, a Prefeitura já declarou que irá recorrer, utilizando estudos técnicos que, segundo ela, sustentam a não existência de nascentes na área.
Por outro lado, o juiz Grisolia reafirmou a importância da preservação das nascentes, considerando que a construção do empreendimento poderia reduzir a qualidade ambiental da região.
Impacto no cotidiano local
A proibição da obra é um alívio para muitos moradores da **Pompeia**, que têm lutado pela preservação da Praça da Nascente. Após revitalizações feitas pela comunidade, a praça tornou-se um espaço de convivência e lazer, com brinquedos para crianças e um lago que utiliza a água das nascentes. A luta travada pelos moradores se intensificou em 2014, quando a **Exto Terra** comprou o terreno, e, desde então, eles têm buscado apoio legal para impedir a construção.
A situação atual levanta um debate necessário sobre o equilíbrio entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental. As áreas verdes e as nascentes são vitais para a qualidade de vida na cidade, e decisões como essa podem servir de precedente para futuras construções em regiões semelhantes.
A expectativa agora é que a Justiça analise o recurso da Prefeitura e que os laudos periciais continuem a ser levados em consideração, não apenas neste caso, mas como parte de uma discussão mais ampla sobre a proteção ambiental em áreas urbanas.
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