Investigação sobre R$ 8,9 milhões em emendas parlamentares em SP
Uma empresa ligada ao Bolsa Família é alvo de investigação por emendas parlamentares recebidas.
Por Mónica Álvarez · 19 de ago. de 2026, 07:19

Uma empresa vinculada a um beneficiário do Bolsa Família, **Distak Produções**, recebeu cerca de **R$ 8,9 milhões** de emendas parlamentares desde agosto de 2024. A situação levantou sérias preocupações sobre a legalidade dos contratos e a fiscalização feita pelas ONGs envolvidas. O pagamento foi realizado por duas organizações não governamentais que receberam repasses de vereadores e um deputado federal de São Paulo.
Contexto da Investigação
A **Distak Produções**, registrada em nome de **Reginaldo Ferreira dos Santos**, foi contratada para executar projetos sociais, mas sua operação é envolta em controvérsias. A empresa concedeu procuração a **Maria Eduarda Rodrigues Dias**, que assumiu poderes sobre as contas bancárias da Distak. A procuração foi lavrada apenas um mês após a constituição da empresa, gerando suspeitas sobre a relação entre os envolvidos e a maneira como os recursos públicos foram geridos.
Os primeiros repasses às contas da Distak ocorreram imediatamente após a assinatura da procuração, o que levanta questões sobre a efetividade da fiscalização e a transparência nos repasses de verbas públicas. As duas ONGs que contrataram a empresa, **Instituto Cultural Arte Nobre (Ican)** e **Associação para Moradia e Saúde (AMS)**, compartilham dirigentes e estão intimamente ligadas entre si.
Declarações de Autoridades
Procurados para comentar a situação, os vereadores envolvidos negaram qualquer relação direta com a **Distak Produções** e solicitaram investigações sobre o caso. A **Prefeitura de São Paulo** e a **Secretaria de Esportes** afirmaram que a responsabilidade pela fiscalização dos repasses é das ONGs contratadas e que não houve falhas na execução dos contratos. A gestão da prefeitura destacou que seu papel se limita a verificar se os objetivos das parcerias foram cumpridos, sem considerar a relação com fornecedores das ONGs.
**Rodrigo Gambale**, deputado federal que destinou R$ 3,9 milhões em emendas ao **Ican**, também se manifestou, alegando que não tinha conhecimento sobre as transações entre a ONG e a Distak. A sua assessora, **Maria Eduarda**, atuou em seu gabinete enquanto a empresa recebia os pagamentos, o que intensifica as suspeitas de conflitos de interesse.
Impacto no Cotidiano Local
A situação traz à tona um debate crucial sobre a responsabilidade na gestão de recursos públicos e a necessidade de maior transparência nas relações entre ONGs e o governo. Enquanto as investigações seguem, a população de São Paulo aguarda respostas sobre a utilização dessas verbas e a integridade dos processos de fiscalização. O caso destaca a importância de uma administração pública que não apenas destine recursos, mas que também assegure que eles sejam empregados de forma responsável e ética.
As investigações sobre possíveis irregularidades estão em andamento e visam esclarecer a complexa rede de relações que permitiram que essa situação chegasse a este ponto, trazendo à luz a urgência de uma revisão nos mecanismos de controle e acompanhamento de emendas parlamentares.


