Na manhã de sexta-feira (14), o professor de música Sérgio Solimando, de 61 anos, observou da varanda de seu apartamento no bairro Campos Elíseos, em São Paulo, a chegada de escavadeiras para dar início às demolições de imóveis localizados na quadra 48, onde se erguerá a nova sede do governo estadual. A gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) começou a derrubar os prédios que já pertencem ao estado, um passo importante para a construção do novo centro administrativo.

A área, que há décadas abriga a cracolândia, não será apenas um novo edifício, mas uma tentativa de revitalização de uma região marcada por problemas sociais. Contudo, as demolições têm gerado uma onda de apreensão entre os moradores da vizinhança, que ainda não sabem como será determinada a compensação pelos imóveis que serão desapropriados.

Os proprietários dos apartamentos nos edifícios Henrique e Princesa relataram à imprensa que temem uma desvalorização ainda maior de suas propriedades, o que pode impactar diretamente no valor das indenizações. Segundo a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), a derrubada se restringe a prédios que foram lacrados pelo Ministério Público devido a ações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado. A CDHU também afirmou que a remoção de entulhos já começou, com o intuito de evitar a degradação da área.

O grande temor dos moradores é que a avaliação dos imóveis para indenização ocorra após o avanço das demolições, o que poderia resultar em valores inferiores aos justos. O advogado Alex Lamartine Franco, que representa os moradores, destacou que em desapropriações anteriores na região, a Cohab tentou aplicar o chamado "fator favela", levando a uma depreciação de até 66,66% no valor dos imóveis. Essa estratégia gera receios entre os proprietários, que não querem ver suas propriedades desvalorizadas por conta da situação da vizinhança.

Para garantir a segurança nas demolições, a CDHU enviou equipes para realizar laudos de vistoria nos prédios que ainda não foram desapropriados. No entanto, o governo informou que as avaliações individuais que haviam sido prometidas não serão feitas antes do avanço das obras.

Os moradores agora aguardam a definição de como se darão as negociações e a compensação pelos imóveis. Enquanto isso, a construção da nova sede do governo avança, prometendo transformar a paisagem da região central de São Paulo. O futuro do quarteirão é incerto, mas a esperança é de que a revitalização traga melhorias para todos os envolvidos.

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