Haddad admite foco em eleição nacional e revela estratégia do PT para Lula
Em sabatina, Fernando Haddad afirma que sua prioridade é fortalecer a candidatura de Lula no cenário nacional.
Por Marco Fernández · 20 de ago. de 2026, 10:00
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Haddad enfatiza missão eleitoral em defesa de Lula
Durante sabatina realizada por veículos nacionais, o ex-ministro da Fazenda, **Fernando Haddad**, foi transparente quanto às suas prioridades políticas em 2026. Segundo ele, o papel à frente da disputa estadual paulista é menos sobre conquistar o governo local e mais sobre garantir que o ex-presidente **Lula** disponha do melhor palanque possível em São Paulo — estado considerado crucial para os resultados da eleição presidencial.
Haddad revelou que a decisão de concorrer ao governo paulista foi orientada pela direção nacional do PT e pelo próprio Lula. "Tem uma causa maior que me faz vir aqui expor a situação, fazer propostas, reconhecer o resultado da urna eletrônica e continuar servindo o país", afirmou. A sinceridade surpreendeu parte do público, ao deixar claro que, mais do que uma candidatura majoritária, sua atuação mira o cenário nacional.
Contexto: PT busca minimizar desvantagem histórica em São Paulo
Desde 2018, São Paulo tem sido um dos principais desafios para o PT em eleições presidenciais. A diferença expressiva de votos favoráveis a Bolsonaro em 2018 caiu de 8,1 milhões (naquele ano) para 2,7 milhões em 2022, contribuindo decisivamente para a vitória de Lula no plano nacional. Dessa forma, mesmo uma derrota menos acentuada para Haddad em 2026 ajudaria o projeto petista.
Apesar de registrar rejeição alta no estado — 58% dos eleitores, de acordo com a última pesquisa Genial/Quaest — o PT justifica a escolha de Haddad pela capacidade de mobilizar segmentos expressivos do eleitorado mesmo diante de adversidades.
Propostas e desafios para São Paulo
Na sabatina, Haddad reconheceu abertamente que iniciou os estudos sobre o estado apenas recentemente, após deixar o Ministério da Fazenda: "Eu estava imerso na Fazenda. Quando vim para cá, eu não vim sabendo o que estava acontecendo". Essa postura foi criticada pela falta de propostas detalhadas para áreas sensíveis como segurança pública, saúde e educação.
No campo da segurança, problema central para a população paulista, Haddad apontou medidas como o uso de câmeras corporais por policiais, boletins de ocorrência digitais e a criação de uma agência integrando diversos órgãos de fiscalização. Já nas áreas de saúde e educação, suas propostas ainda carecem de detalhamento, limitando-se a críticas ao aumento das filas do SUS e sugestões para concursos docentes e ampliação de escolas em tempo integral.
Quando questionado sobre privatizações, tema sensível para os paulistas, Haddad endossou a necessidade de estudar o tema e cobrar das empresas, mas descartou rupturas contratuais, afirmando que "reestatizar empresa recém-privatizada é um imbróglio medonho".
Impacto no cenário nacional
A entrevista também serviu para rebater críticas sobre a responsabilidade fiscal do governo federal e defender o legado petista, além de repreender possíveis riscos institucionais caso adversários do PT vençam a eleição. O nome do senador Flávio Bolsonaro foi citado como exemplo dos perigos que Haddad enxerga para o Brasil em cenários adversos.
Com as eleições se aproximando, Haddad afirmou que segue ouvindo especialistas para melhorar seu programa e não descartou futuras mudanças nas propostas, à medida que o diálogo com a sociedade avance.
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