Grande Tijuca: Aumento da População em Situação de Rua e Desafios Sociais
A presença crescente de pessoas em situação de rua na Grande Tijuca exige uma abordagem humanizada e integrada.
Por Carmen Torres · 12 de ago. de 2026, 09:18
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Entre as encostas do Maciço da Tijuca, uma realidade desafiadora se impõe: a presença de pessoas em situação de rua na região da Grande Tijuca, que abrange bairros como Andaraí, Alto da Boa Vista, Grajaú, Maracanã, Praça da Bandeira, Tijuca e Vila Isabel. Esses locais, interligados por vias e serviços públicos, têm enfrentado um aumento significativo dessa população vulnerável, especialmente após a pandemia.
A Preocupação da Comunidade
Recentemente, uma enquete realizada pelo GLOBO revelou que a situação das pessoas em situação de rua é uma das principais preocupações dos moradores da Grande Tijuca, recebendo 45,5% dos votos, superando questões como roubos e furtos. Essa preocupação reflete um incômodo crescente entre os moradores e comerciantes locais, que têm notado um aumento visível no número de pessoas dormindo em praças e calçadas.
João Alberto Britto, presidente da Nova Tijuca, uma associação empresarial e de moradores da região, destaca que, nos últimos anos, os relatos sobre a presença de pessoas em situação de rua tornaram-se mais frequentes. Ele observa que essa questão não é exclusiva da Grande Tijuca, mas uma realidade presente em todo o Rio de Janeiro. "A população em situação de rua cresceu de forma significativa no período pós-pandemia", afirma Britto.
A Complexidade da Situação
O sociólogo Dário de Sousa e Silva Filho, professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), aponta que é fundamental separar a questão da população em situação de rua das discussões sobre segurança pública. Segundo ele, essas pessoas são frequentemente vítimas de violência e discriminação, e não potenciais agentes de violência. "É necessário afastar o pressuposto de que toda pessoa na rua é um potencial agente de violência. Elas são, com frequência, sujeitas à violência", explica.
As trajetórias que levam uma pessoa às ruas são variadas e complexas, envolvendo desemprego, violência doméstica, problemas de saúde mental e outras adversidades. Silva Filho ressalta que a maior visibilidade de pessoas em situação de rua em áreas comerciais se deve às oportunidades de sobrevivência que esses locais oferecem, como doações e abrigo temporário.
A Resposta da Assistência Social
A Secretaria Municipal de Assistência Social tem realizado abordagens diárias nos sete bairros da Grande Tijuca, contabilizando mais de 13 mil atendimentos no primeiro semestre de 2026. No entanto, a entrada em unidades de acolhimento depende da concordância da pessoa atendida, o que dificulta a avaliação da efetividade das políticas de acolhimento.
Além disso, o Consultório na Rua, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, oferece atendimento médico e apoio psicológico, mas as dificuldades persistem. Cláudio Santos, coordenador do Fórum Permanente de Defesa dos Direitos da População em Situação de Rua, ressalta que a descentralização dos serviços de acolhimento poderia facilitar o acesso a benefícios e serviços essenciais.
A Necessidade de Políticas Integradas
Para o Fórum, as soluções para a população em situação de rua devem englobar três eixos principais: moradia, trabalho e tratamento. Santos enfatiza que as unidades de acolhimento devem servir como uma resposta emergencial, enquanto políticas habitacionais permanentes são essenciais para a reintegração social.
A situação atual da Grande Tijuca ilustra a necessidade premente de uma abordagem mais humanizada e integrada para lidar com a população em situação de rua. O fortalecimento das políticas sociais e a compreensão das diversas realidades enfrentadas por essas pessoas são fundamentais para promover mudanças significativas.
A invisibilidade social não deve ser a solução para o problema, pois, como ressalta Dário de Sousa e Silva Filho, muitos dos que habitam as ruas enfrentam uma realidade de direitos negligenciados. A resposta da sociedade e dos órgãos públicos deve ser uma construção coletiva, que priorize a dignidade humana e a inclusão social.


