Filhos de Tarcísio são sócios em empresa ligada a créditos tributários
Negócio entre filhos do governador de SP e empresário de consultoria tributária levanta questionamentos sobre independência das atividades.
Por Clara Ríos · 13 de ago. de 2026, 08:59

Filhos de governador de São Paulo entram em sociedade com executivo do setor fiscal
Os filhos do governador de São Paulo, **Tarcísio de Freitas (Republicanos)**, protagonizam uma nova polêmica ao se tornarem sócios de um empresário do ramo de consultoria e recuperação de créditos tributários. O caso ganhou destaque após a oficialização da parceria em junho deste ano, envolvendo empresas especializadas em planejamento e gerenciamento fiscal estratégico cujo sucesso depende do aval do poder público.
Segundo registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo, **Letícia Ferreira de Freitas (19)** e **Matheus Ferreira de Freitas (27)** abriram a Ferreira de Freitas Participações, sediada em Barueri (Grande SP), uma microempresa de consultoria empresarial e intermediação negócios. Poucos meses depois, já representados por Matheus, associaram-se à RB Par Ltda, da Bahia, para constituir a BR Invest Participações, empresa de capital social de R$ 60 mil, em parceria com **Rodrigo Barbosa de Sousa**, empresário baiano cuja família mantém negócio no segmento de créditos fiscais.
Empresas e possíveis conflitos
A família de Rodrigo controla empresas como a **Lex Tax**, que atua diretamente com recuperação tributária, e a **All Tax**, voltada ao desenvolvimento de soluções em gestão tributária. De acordo com informações públicas, clientes atendidos por essas companhias pertencem a setores estratégicos como energia e proteína animal, setores que movimentaram mais de R$ 680 milhões em créditos de ICMS em São Paulo, entre 2023 e 2025.
Apesar das coincidências, **Tarcísio de Freitas** e o empresário Rodrigo negam qualquer conflito de interesses. Segundo nota do governador encaminhada à imprensa, "as vidas profissionais de seus filhos são conduzidas de forma absolutamente independente da gestão pública". Da mesma maneira, a empresa Lex Tax afirma não possuir clientes em São Paulo ou que se beneficiem dos incentivos fiscais concedidos pelo estado.
O contrato social da nova empresa prevê possibilidade de entrada de investidores externos, aquisição de participações e empréstimos dos próprios sócios, além da operação a partir de escritórios compartilhados em São Paulo e na Bahia.
Declarações oficiais e repercussões
O governador **Tarcísio de Freitas** repudiou a associação de seus filhos à gestão pública estadual, reforçando: "não houve qualquer agenda, reunião ou audiência do governador, nem de seu gabinete, com representantes das empresas mencionadas". A Lex Tax, por nota, também negou relações com o Estado de São Paulo que pudessem caracterizar conflito.
Segundo a apuração, nem Matheus nem Letícia possuem atuação pública nas redes sociais, mantendo certa discrição quanto às atividades empresariais. Apesar disso, a sociedade reacende o debate sobre a fronteira entre iniciativas privadas de familiares de figuras públicas e o risco de eventuais favorecimentos em processos que dependem de decisões administrativas do Estado.
Próximos passos e impacto na opinião pública
Os desdobramentos do caso podem provocar discussões sobre novas normas de transparência e compliance ético para familiares de agentes públicos que mantenham atividades no setor privado, especialmente em áreas sensíveis como consultoria tributária.
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