Fernando Haddad cobra esclarecimentos da PM de São Paulo após abordagem controversa
Candidato questiona versão da PM-SP sobre abordagem e pede respeito aos cidadãos.
Por Javier Sánchez · 14 de ago. de 2026, 04:27
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O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, **Fernando Haddad (PT)**, trouxe novamente ao centro do debate público a importância da transparência e do respeito na atuação das forças de segurança. Nesta quinta-feira (13), durante compromisso no interior do estado, Haddad afirmou esperar um esclarecimento sólido a respeito da abordagem sofrida por seu motorista, que, segundo ele, foi seguido por viatura da **Polícia Militar de São Paulo (PM-SP)** por pelo menos cinco quilômetros na última terça-feira (11).
Divergência nos horários alimenta dúvidas A principal questão levantada por Fernando Haddad refere-se à justificativa oficial apresentada pela **Secretaria de Segurança Pública**. Segundo o órgão, a abordagem teria ocorrido como parte de uma operação que visava capturar suspeitos de assalto a motoristas na **Avenida 9 de Julho**, região central da capital paulista. No entanto, Haddad aponta que a explicação não bate com a linha do tempo dos acontecimentos.
— "Me enviaram um boletim de ocorrência de um crime ocorrido às 23h10, enquanto o episódio comigo ocorreu às 21h45. A diferença é de uma hora e meia. Ou estamos diante de uma ação policial capaz de prever crimes no futuro ou algo não está esclarecido", afirmou Haddad durante evento em Sertãozinho.
O candidato retornava para casa após participar de compromisso na faculdade de Direito da USP. Já em seu bairro, foi abordado por agentes da PM. Depois do fim da abordagem, seu motorista seguiu com o veículo e relatou que continuou sendo seguido até um hotel na **Rua Estela, na Vila Mariana**.
Esclarecimento e respeito são cobrados O secretário da **Segurança Pública**, delegado **Osvaldo Nico Gonçalves**, fez contato com Haddad para ouvir detalhes e contribuir com a investigação. Haddad afirma que não quer dramatizar, mas sim ver o fato esclarecido e garantir respeito aos cidadãos por parte das instituições públicas. O petista ressaltou que o motorista ficou bastante constrangido com a situação, por ser um trabalhador e empreendedor familiar.
Haddad questiona ainda a razão de a perseguição policial ter sido mantida após a identificação inicial na abordagem. "Se houve a liberação após a identificação, por que seguir depois? Há câmeras no hotel e da Prefeitura na região, então o caso pode ser rapidamente esclarecido", completou.
Segundo o boletim de ocorrência emitido pelo 27º Distrito Policial (Campo Belo), havia buscas por um grupo suspeito de praticar o chamado 'quebra-vidro', que consiste em quebrar vidros de carros para roubar celulares. O documento cita detenção de suspeitos e apreensão de objetos, mas não faz menção direta ao episódio vivido pelo motorista de Haddad. Ainda segundo o BO, as equipes não estariam utilizando bodycams, o que pode dificultar a investigação.
Próximos passos e expectativas A **Secretaria de Segurança Pública** informou, em nota oficial, que a PM foi orientada a identificar todos os envolvidos no período relatado para apuração dos fatos. A pasta também enfatiza que eventuais desvios de conduta serão devidamente investigados. O caso levanta novamente o debate sobre o uso de tecnologia (como câmeras corporais) nas ações policiais e o direito dos cidadãos à explicação adequada em abordagens de rotina.
A repercussão do episódio reforça a necessidade de diálogo transparente entre autoridades e população, principalmente em contextos de alta visibilidade. Para Haddad, o esclarecimento é fundamental para que se reafirme o compromisso das instituições públicas com a cidadania.
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