Estudo prevê secas mais longas e intensas no Sudeste até 2100
Secas prolongadas e mais severas ameaçam a bacia do Paraíba do Sul, afetando milhões em MG, RJ e SP.
Por María Nieves Gómez · 26 de ago. de 2026, 08:49

Os períodos de seca na região Sudeste do Brasil devem ficar mais extensos e severos até o final do século, de acordo com um estudo recente conduzido pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Os pesquisadores utilizaram o índice Drip — Drought Representation Index — para projetar os impactos das mudanças climáticas sobre a bacia do rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de cerca de 20 milhões de pessoas em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Cenário de estiagem mais grave na bacia do Paraíba do Sul
O estudo, publicado na Revista Brasileira de Recursos Hídricos, aponta que, entre 2021 e 2060, a média de duração das secas nessa bacia deve subir de 9 para 13 meses. A tendência é ainda mais preocupante para o período entre 2061 e 2100, com previsão de secas que podem chegar a 16 meses consecutivos. Além do tempo, a intensidade das secas também tende a aumentar: enquanto o índice histórico de severidade era de 7,35, a projeção é que este número alcance 18,35 nas próximas décadas.
Segundo o pesquisador **Ályson Estácio**, da Funceme, "quanto mais severa é a seca, menor o volume de água disponível na região". Outro ponto analisado foi o chamado período de retorno — o tempo de trégua entre secas. Embora esse intervalo de recuperação suba de 18 meses para até 23 meses até o fim do século, Estácio alerta que a má notícia está na qualidade desses eventos: “As secas serão menos frequentes, mas mais intensas e duradouras, com impactos mais severos para os sistemas hídricos e para a sociedade.”
Preocupação para abastecimento e recomendações dos especialistas
Diante desse cenário, os pesquisadores sugerem forte revisão nas políticas de gestão de recursos hídricos. Entre as recomendações está a inclusão de mudanças climáticas no planejamento de represas e abastecimento, além da adoção de "gatilhos de seca" — protocolos de emergência a serem acionados, por exemplo, quando o nível dos reservatórios atingir determinado limite. Outra proposta é dar maior voz à sociedade nos processos de decisão e aperfeiçoar a conscientização do consumo, principalmente para setores como agricultura, indústria e abastecimento urbano, para evitar o esgotamento prematuro dos sistemas.
Resposta das autoridades e investimentos em segurança hídrica
Em nota, a **Sabesp** (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) declarou que seu planejamento já prevê ações para enfrentar períodos prolongados de seca, incluindo o aumento da capacidade dos reservatórios, diversificação de fontes e integração de sistemas. A companhia anunciou investimentos de R$ 7,8 bilhões até 2030 em projetos voltados à segurança hídrica na região metropolitana de São Paulo. Parte dessas ações envolve o uso de tecnologias como imagens de satélite e inteligência artificial para monitorar o sistema e identificar vazamentos.
Impactos para a população do Sudeste
As futuras estiagens devem afetar o abastecimento de água, principalmente nas áreas urbanas. Os especialistas alertam para a importância do consumo consciente e para a necessidade de antecipar medidas preventivas, diminuindo os riscos de racionamento e prejuízos econômicos.
Com o avanço das mudanças climáticas, a preparação dos governos estaduais e municipais será fundamental para garantir a segurança hídrica da população. Fique por dentro das principais notícias sobre meio ambiente e gestão hídrica no Brasil em localpulsebrazil.com.
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