Eleições em São Paulo: 145 cidades-pêndulo desafiam hegemonia da direita e são alvo do PT
Estudo da UFPR aponta papel decisivo das cidades-pêndulo para o PT em São Paulo.
Por Marta Suárez · 13 de ago. de 2026, 08:37

145 cidades-pêndulo podem definir o rumo das eleições em São Paulo
Um estudo inédito realizado pelo **INCT Representação e Legitimidade Democrática**, grupo da **Universidade Federal do Paraná (UFPR)**, analisou o comportamento eleitoral em todos os 645 municípios do estado de São Paulo. Os dados revelam que 145 cidades do estado são consideradas "cidades-pêndulo" – ou seja, alternaram vitórias de candidatos de esquerda e de direita nos seis segundos turnos presidenciais entre 2002 e 2022. Essas cidades abrigam 13,97 milhões de eleitores, cerca de 41% de todo o eleitorado paulista, desempenhando papel estratégico nas próximas disputas.
Direita parte na frente e PT depende dessas cidades
O levantamento aponta que a direita mantém hegemonia (vitórias nas seis eleições analisadas) ou dominância (vitórias na maioria dos pleitos) em 480 municípios paulistas, abrangendo 19,72 milhões de eleitores. Já o **Partido dos Trabalhadores (PT)** concentra domínio em apenas 20 cidades, que reúnem 415,5 mil eleitores – número equivalente a 1,2% do total estadual.
O pesquisador **Fábio Vasconcellos**, que liderou o estudo, destaca: "A direita já tem uma base eleitoral muito alta, ao contrário do PT, que tem pouquíssima dominância. Se o PT não conseguir vencer as cidades-pêndulo, a direita terá uma vitória esmagadora. Se eles conseguirem a vantagem, já ajuda a igualar a diferença".
Região metropolitana de São Paulo tem peso decisivo
Segundo o levantamento da **UFPR**, apenas 18 das 145 cidades-pêndulo estão na região metropolitana de São Paulo, mas nelas concentram-se 12,85 milhões de eleitores – impressionantes 92% do eleitorado pendular estadual. A capital paulista lidera, com 9,13 milhões de eleitores, seguida por municípios como São Bernardo do Campo, Osasco, Diadema e Mauá.
No interior e litoral, 127 cidades classificadas como pendulares somam apenas 1,11 milhão de eleitores, o que representa 7,9% desse grupo. O restante do interior paulista reforça seu perfil conservador, com cidades estratégicas como Ribeirão Preto, Campinas, São José dos Campos, Sorocaba, Bauru, São José do Rio Preto e Piracicaba ancorando o voto à direita.
PT pressiona estratégias para equilibrar a disputa eleitoral
O desempenho das campanhas no estado, em especial a de **Fernando Haddad (PT)** ao governo de São Paulo, pode influenciar diretamente os votos para a Presidência da República. Assessores do presidente **Luiz Inácio Lula da Silva** reconhecem a importância da candidatura de Haddad como fator de fortalecimento do palanque petista no estado, considerado crucial por ser o maior colégio eleitoral do país.
O estudo destaca a chamada "dependência crítica" do PT em relação à região metropolitana, especialmente à capital e ao ABC Paulista. A perda de terreno nessas áreas pode inviabilizar estratégias de compensação nas demais regiões do estado, tornando as cidades-pêndulo cada vez mais vitais na disputa.
Perspectivas e próximos passos
Com a aproximação do período eleitoral, partidos intensificam estratégias para conquistar eleitores nessas cidades-chave. O equilíbrio de forças em São Paulo pode definir não só o resultado estadual, mas também ter impacto direto no cenário político nacional.
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