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Educação

Educadora é afastada em SP após indicar biografias de Hitler e Mussolini como exemplo de liderança

Afastamento ocorreu após recomendação polêmica feita em reunião com educadores, motivando ação judicial do sindicato.

Por Victoria Ortega · 26 de ago. de 2026, 06:26

Lide — O que aconteceu e onde

Uma polêmica envolvendo a **Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP)** tomou conta do debate público nesta semana. A servidora estadual **Roselaine Batalha Silva** foi afastada nesta terça-feira (25) do cargo de dirigente da Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes (SP), após ter recomendado, durante reunião virtual com educadores, a leitura das biografias do nazista Adolf Hitler e do fascista Benito Mussolini como exemplos "estimulantes" para lideranças.

Contexto local e repercussão

A reunião polêmica ocorreu no dia 12 de agosto e rapidamente trouxe repercussão negativa. Durante a videoconferência, Roselaine afirmou que “líder não é alguém a quem foi dada uma coroa” e sugeriu que todos podem aprender com biografias, “mesmo dos maus”. Entre os nomes citados estavam Salazar, Mussolini e Hitler. Sobre Hitler, disse: "'Mein Kampf, Minha Vida', do Hitler, é tão estimulante [que] se eu tirar o nome, ele convence países, jovens e nós até hoje... Mas ele era um líder excepcional, isso ninguém pode negar."

A declaração foi considerada inadequada por diversos setores da sociedade, sobretudo o **Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp)**, que entrou com representação no **Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP)**. A ação alega que as figuras não foram usadas apenas como personagens históricos, mas destacadas como exemplos de liderança.

Além da Apeoesp, a deputada estadual e candidata à reeleição Professora Bebel (PT-SP) repudiou publicamente a fala de Roselaine, classificando como "inadmissível" citar ditadores e criminosos contra a humanidade para exemplificar liderança em ambiente educacional. O episódio reacendeu a discussão sobre limites pedagógicos e a responsabilidade de gestores públicos na formação de valores.

Reação oficial e próximos passos

A **Secretaria da Educação do Estado de São Paulo** informou que determinou de imediato o afastamento da educadora e abriu investigação para apurar as circunstâncias das declarações. O órgão declarou: “Não compactuamos com manifestações que contrariem os princípios e valores que orientam a educação pública de São Paulo. A declaração não representa o posicionamento da pasta".

Parte da discussão levanta ainda o tratamento de biografias polêmicas em sala de aula - a circulação de "Mein Kampf" não é proibida no Brasil, embora sofra restrições municipais pontuais, como no Rio de Janeiro. Especialistas reforçam a necessidade do trabalho crítico de contextualização histórica, sem transformar personagens autoritários em modelos de conduta.

O caso segue sendo acompanhado por entidades, professores e pela sociedade civil, que aguardam o desfecho tanto da apuração interna como dos possíveis desdobramentos judiciais da representação da Apeoesp junto ao MP-SP.

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