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Sociedade

Dois Anos da Tragédia da Voepass: O Luto das Famílias Continua

Familiares das vítimas do acidente ainda enfrentam a dor da perda e buscam justiça.

Por Carmen Pérez · 13 de ago. de 2026, 09:07

No dia 9 de agosto de 2024, uma tragédia marcaria a aviação brasileira com a queda do voo da **Voepass**, que resultou na morte de 62 pessoas em **Vinhedo**, interior de São Paulo. Dois anos depois, as cicatrizes da dor e da perda ainda persistem entre os familiares das vítimas, que tentam encontrar um sentido em meio ao luto constante. Adriana Ibba, jornalista e mãe da pequena Liz, a mais jovem vítima da tragédia, lembra-se com clareza do último dia que passou com a filha. "Ela estava tão feliz, preparando-se para uma viagem que deveria ser uma celebração", relata. Porém, o que se seguiu foi um pesadelo: a queda do avião, que deveria ter garantido a segurança dos passageiros, foi resultado de falhas operacionais, como evidenciado pelo relatório da **Polícia Federal**.

A Luta por Justiça

Adriana, agora vice-presidente de uma associação de parentes das vítimas, luta incansavelmente por justiça. "Estamos determinados a que os responsáveis sejam punidos", afirma. O inquérito da Polícia Federal indiciou 16 pessoas, incluindo o presidente da Voepass, **José Luiz Felício Filho**, por crime. O relatório apontou que a aeronave foi despachada mesmo sabendo das condições adversas que poderiam causar a tragédia. Apesar de a companhia aérea alegar que a segurança é sua prioridade, as evidências indicam que a cultura organizacional priorizava a disponibilidade da frota em detrimento da segurança operacional.

Impacto nas Vidas das Famílias

Fátima Albuquerque, presidente da **Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283**, estima que mais de 40 mães perderam seus filhos nesse acidente. "Nós compartilhamos uma dor que é inimaginável. Nosso objetivo é que nenhuma mãe passe pelo que nós passamos", desabafa Fátima, que perdeu a filha Arianne, uma médica em ascensão. O luto não é apenas uma questão pessoal, mas uma luta coletiva por reconhecimento e justiça.

Eduarda Castelo Hübner, que não era mãe, mas perdeu os pais no acidente, também vive um processo doloroso de adaptação. Com apenas 25 anos, tornou-se responsável pela educação e pelo suporte emocional de seus irmãos mais novos. "Tive que aprender a administrar tudo sozinha, e só consegui viver o meu luto um ano depois da tragédia", relata. Sua história é apenas uma entre tantas que ilustram o impacto devastador que um acidente aéreo pode ter na vida de uma família.

Reflexão e Esperança

À medida que se aproxima o segundo aniversário da tragédia, os relatos de dor e superação se entrelaçam. As famílias das vítimas continuam a buscar respostas e se mobilizam em busca de justiça. A lembrança de cada um que partiu é viva, e a luta por um futuro mais seguro na aviação permanece. Para muitos, essa tragédia não é apenas uma estatística, mas uma realidade que afeta diretamente suas vidas e seus lares.

A história das famílias afetadas pela queda do voo da **Voepass** é um lembrete da fragilidade da vida e da importância de garantir que tragédias como essa não se repitam. As vozes dessas pessoas precisam ser ouvidas, e sua luta por justiça deve continuar a ser uma prioridade.

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