Desigualdade social impacta acesso à atividade física de lazer em São Paulo
Estudo mostra que fatores como gênero, raça e escolaridade influenciam quem pratica exercícios na capital paulista.
Por Javier Jiménez · 14 de ago. de 2026, 05:06

Estudo revela desigualdade na prática de exercícios em São Paulo
A desigualdade social segue sendo um obstáculo para a prática de atividade física de lazer em São Paulo, de acordo com dados recentes do **estudo ISA-Capital**, divulgado nesta semana. O levantamento acompanhou 978 moradores da capital paulista entre 2014 e 2024 e apontou que fatores como gênero, raça e escolaridade têm papel decisivo sobre quem consegue se exercitar regularmente por lazer.
O estudo, conduzido por pesquisadores locais, utilizou um índice que considera gênero, cor/raça e escolaridade para avaliar as vulnerabilidades sociais dos participantes. Foram analisados três períodos distintos:
- **2014/15**: 51% das pessoas de menor vulnerabilidade praticavam exercícios de lazer, enquanto no grupo mais vulnerável esse índice era de apenas 29%.
- **2020/21 (pandemia)**: Houve leve redução dessa diferença, com 57% dos menos vulneráveis relatando prática de lazer contra 42% dos mais vulneráveis.
- **2023/24 (pós-pandemia)**: A desigualdade voltou a crescer, com 65% no grupo de menor vulnerabilidade e 39% no mais vulnerável, voltando ao patamar dos anos anteriores à pandemia.
Como as três vulnerabilidades se combinam?
Na escala utilizada pelo estudo, **mulheres**, **pessoas pretas, pardas, indígenas ou amarelas**, e indivíduos com **ensino fundamental incompleto** somam pontos de vulnerabilidade. O grupo mais privilegiado reúne homens brancos com ensino superior completo, enquanto o mais vulnerável é formado pelas mulheres não brancas com baixa escolaridade. Os autores do estudo destacam que a sobreposição dessas condições amplia a dificuldade de acesso ao lazer esportivo.
Fatores que ampliam a desigualdade
De acordo com a análise, **distância de equipamentos esportivos**, falta de parques, poucas ciclovias, calçadas precárias e **questões de segurança** dificultam o acesso de quem vive em áreas mais vulneráveis. Entre as mulheres, a sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidados com familiares reduz o tempo disponível para o lazer físico. A pesquisa também aponta para a diferença no significado do deslocamento a pé: enquanto parte da população caminha por lazer, muitos moradores de regiões periféricas caminham por necessidade, devido à falta de acesso a outros meios de transporte.
Recomendações para políticas públicas
Diante dos dados, os pesquisadores sugerem a adoção do que chamam de "universalismo proporcional": políticas públicas para promover a atividade física que contemplem toda a população, mas com maior intensificação de investimentos e ações para os grupos mais vulneráveis e regiões periféricas.
Impacto para o Brasil e caminhos para o futuro
A realidade de São Paulo reflete desafios encontrados em outros grandes centros urbanos brasileiros. O acesso desigual ao lazer e à prática esportiva reforça a necessidade de um olhar mais sensível do poder público para combater vulnerabilidades e promover qualidade de vida.
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