Dentista denunciou empresário por estupro marital antes de agressão em SP
Caso em São Paulo expõe denúncias anteriores de violência sexual e doméstica.
Por Nieves Ruiz · 18 de ago. de 2026, 10:43

Dentista formalizou denúncia de estupro marital antes de agressão recente
A dentista **Giulia Melo Falcão Vel Kos**, 27 anos, havia procurado a polícia meses antes de um episódio violento ocorrido na madrugada de sábado (15) em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, para denunciar o marido, o empresário **Ivo Vel Kos**, 48 anos, por suposto estupro marital. Segundo informações, os episódios de violência sexual ocorreram durante o casamento e envolveram relações sem consentimento.
Conforme relatado por Giulia, a situação se agravou ao longo do relacionamento. A dentista tinha procurado a **2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM)** em maio para registrar a queixa de violência sexual. A **Polícia Civil de São Paulo** abriu inquérito que segue em andamento. O estupro marital, apesar de não ter tipificação específica no Brasil, se encaixa no crime de estupro previsto no artigo 213 do Código Penal.
Linha do tempo dos fatos e andamento das investigações
- **Maio/2026**: Giulia registra denúncia de estupro marital contra Ivo Vel Kos na 2ª DDM em São Paulo.
- **Sábado (15/8/2026)**: Novo episódio de violência doméstica leva à prisão preventiva do empresário. Câmeras de segurança registram agressões físicas, inclusive o uso de um taco de beisebol e de uma arma de choque, que resultaram em lesões visíveis em Giulia.
- **Após a prisão**: O advogado de defesa de Ivo, Davi Gebara, informou que não comentará sobre o caso de estupro; a defesa tenta habeas corpus para o empresário. Já o advogado de Giulia, Fábio Fajolli, esclareceu que reconciliações em casos como esse não anulam os fatos ou a gravidade das denúncias.
Contexto e desafios enfrentados por vítimas
O caso revela desafios enfrentados por mulheres vítimas de violência sexual dentro do próprio casamento. Giulia relatou dificuldade em reconhecer que o abuso vivido por ela configurava crime, pois existia a crença social de que relações sexuais entre cônjuges não exigiriam consentimento. "Eu guardei isso por muito tempo, porque é uma situação muito constrangedora e por achar que, por ele ser meu marido, ele teria esse direito", afirmou a dentista.
A psicóloga e ativista de direitos da mulher, **Mariana Ribeiro** (nome fictício para ilustração), destaca que a resistência das vítimas em denunciar resulta do medo, da vergonha e da pressão social para manter o relacionamento. Especialistas apontam que o casamento nunca é justificativa para a ausência de consentimento.
Repercussão e próximos passos da justiça paulista
Após o episódio de violência verificado em agosto, a justiça converteu a prisão de Ivo Kos em preventiva. Tanto Giulia quanto o empresário foram submetidos a exame de corpo de delito. A defesa aguarda análise do habeas corpus e a investigação da Polícia Civil segue em sigilo. O caso reforça debates sobre proteção à mulher e necessidade de informação sobre violência sexual no âmbito doméstico.
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