Defesa busca reclassificação de crime após agressão

A defesa da cirurgiã-dentista Giulia Falcão, de 27 anos, intensificou nesta quarta-feira (19) o pedido para que o empresário Ivo Kos, 48, seja investigado por tentativa de feminicídio, e não apenas por lesão corporal e ameaça, como registrado inicialmente pela Polícia Civil de São Paulo. O caso ocorreu no bairro de Pinheiros, zona oeste da capital paulista, após o casal retornar de um jantar.

Segundo o advogado Fábio Fajolli, representante de Giulia, a nova tipificação se justifica pela gravidade das agressões sofridas, indo além do entendimento de lesão corporal. "Foi um equívoco tipificar o crime como lesão corporal porque há vários indícios de que a intenção era matar a Giulia", argumentou o advogado. A defesa trabalha para levar o caso ao Tribunal do Júri, onde crimes contra a vida são julgados.

Contexto do caso e depoimentos

Ivo Kos, empresário do setor financeiro e sócio fundador da Virgo, foi preso em flagrante na madrugada de sábado (15) e segue detido no Centro de Detenção Provisória I de Pinheiros. O pedido de prisão domiciliar foi negado pela Justiça de São Paulo, mantendo o empresário em regime fechado enquanto as investigações prosseguem.

De acordo com o boletim de ocorrência, a agressão começou ainda dentro do carro e se estendeu até a residência do casal. Giulia relatou ter sido agredida fisicamente por Ivo, inclusive com um taco de beisebol e sob ameaças com um taser. Ela afirma que as violências já vinham ocorrendo ao longo dos quase três anos de casamento e utilizou as redes sociais para expor ferimentos, como hematomas no rosto e um dedo quebrado.

Já a defesa de Ivo Kos, representada pelo advogado Davi Gebara, disse que o processo corre em segredo de justiça e que não comentará detalhes, lamentando a exposição pública de terceiros não envolvidos no processo. Kos nega parte das acusações e diz que Giulia estava sob efeito de álcool, admitindo apenas um soco já do lado de fora da residência. Ambos foram submetidos a exames de corpo de delito.

Em nota, o Instituto Olga Kos, dirigido pela mãe de Ivo, ressaltou ser fundamental não confundir a atuação institucional da entidade com questões pessoais do empresário, e reforçou que a violência doméstica não admite relativização.

Repercussão e próximos passos

O caso repercutiu nas redes sociais e em entidades de direito das mulheres, ampliando o debate sobre o tratamento de crimes de violência de gênero pelas autoridades brasileiras. Organizações de defesa dos direitos das mulheres cobraram investigação célere e a correta tipificação do delito como tentativa de feminicídio, caso confirmada a intenção de matar.

A pena por lesão corporal grave pode chegar a cinco anos de reclusão, enquanto feminicídio (tentativa) pode ultrapassar 26 anos, de acordo com recentes atualizações da lei penal.

O Ministério Público de São Paulo acompanha os desdobramentos, e a sociedade aguarda por uma resposta rigorosa da Justiça. Para mais notícias e atualizações sobre casos de violência contra a mulher, acompanhe localpulsebrazil.com.