Pular para o conteúdo
AgoraSão Paulo FC: ônibus apreendido na Bolívia com 86 kg de maconha
Cultura

Crime do Restaurante Chinês: Racismo e Justiça em Debate

Análise do crime de 1938 revela questões raciais na justiça.

Por Clara Ríos · 19 de ago. de 2026, 06:01

O trágico caso do crime do restaurante chinês, ocorrido em 1938, em São Paulo, é uma expressão marcante das complexas relações raciais e das falhas do sistema judiciário brasileiro. O historiador **Boris Fausto**, em sua obra "O Crime do Restaurante Chinês: Carnaval, Futebol e Justiça na São Paulo dos Anos 30", reconstitui os eventos que culminaram em um quádruplo homicídio, envolvendo o comerciante **Ho-Fung**, sua esposa **Maria Akiau** e dois garçons, **José Kulikevicius** e **Severino Lindolfo Rocha**.

Contexto do Crime

Na madrugada de 2 de março de 1938, o restaurante **Órion**, localizado na rua Venceslau Brás, era um ponto de encontro popular, mas também um ambiente de tensões. Ho-Fung, conhecido por seu comportamento ríspido, mantinha relações difíceis com seus funcionários, o que gerou ressentimentos. O crime chocou a sociedade e expôs a fragilidade da segurança pública na época.

Os corpos foram encontrados pelo cozinheiro **Pedro Adukas**, apresentando sinais de brutalidade extrema. A investigação logo apontou para **Árias de Oliveira**, um ex-funcionário que, embora não houvesse provas concretas contra ele, foi rapidamente rotulado como culpado devido à pressão midiática e ao preconceito racial.

Investigação e Julgamento

A cobertura do caso pela imprensa foi marcada por conotações raciais. **Árias**, um homem negro corpulento, foi descrito de maneira negativa, e a sua semelhança com o famoso jogador de futebol **Leônidas da Silva** acabou gerando simpatias, mas não o suficiente para reverter o preconceito que sofria. Durante o processo, a polícia adotou técnicas de avaliação que, além de ultrapassadas, eram claramente racistas, o que levou a uma avaliação distorcida de sua culpabilidade.

Após uma série de interrogatórios, **Árias** confessou o crime, mas sua defesa apontou que a confissão foi obtida sob coação. O fato de ser absolvido pelo júri não encerrou a saga, pois o caso foi anulado e um novo julgamento foi marcado, onde novamente ele foi liberado. **Paulo Lauro**, seu advogado, foi um dos primeiros afrodescendentes a ocupar cargos políticos significativos, destacando-se posteriormente como prefeito de São Paulo.

Reflexões Finais

O crime do restaurante chinês não é apenas uma história de violência, mas um espelho das injustiças raciais que persistem na sociedade brasileira. **Boris Fausto** nos convida a refletir não só sobre o passado, mas sobre como a história e as narrativas formadas influenciam o presente. O verdadeiro culpado nunca foi encontrado, e as marcas desse evento permanecem na memória coletiva, questionando a eficácia do sistema judiciário e a necessidade de um olhar mais crítico sobre a questão racial no Brasil.

Para mais informações e atualizações sobre a cultura e a sociedade brasileira, visite localpulsebrazil.com.

Leia também

Crime do Restaurante Chinês: Racismo e Justiça em Debate | Local Pulse Brazil