Pular para o conteúdo
AgoraSão Paulo FC: ônibus apreendido na Bolívia com 86 kg de maconha
Sociedade

Criança de 6 anos perde visão do olho após tiroteio na Mangueira, Rio de Janeiro

Menino foi atingido por estilhaços de bala durante operação policial na Zona Norte do Rio.

Por Violeta Pérez · 14 de ago. de 2026, 04:33

Menino atingido durante ação policial na Mangueira

Um menino de apenas 6 anos perdeu a visão do olho esquerdo após ser atingido por estilhaços de bala de fuzil durante uma operação policial na comunidade da Mangueira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na última quarta-feira (12). De acordo com informações divulgadas pela **Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj)** nesta quinta-feira (13), a criança continua internada no **Hospital Municipal Souza Aguiar**, no Centro.

O incidente ocorreu quando o garoto brincava na varanda do prédio onde mora, tornando-se vítima do confronto armado que tomou conta da região. A operação foi conduzida pela **Delegacia de Roubos e Furtos (DRF)**, que fiscalizava um ferro-velho na Rua São Francisco Xavier, no bairro da Tijuca. Segundo relatos da comissão e de moradores, um intenso tiroteio assustou toda a vizinhança enquanto policiais trocavam tiros com supostos criminosos durante a ação.

Estado de saúde e assistência à família

Logo após ser atingido, o menino foi socorrido e levado ao Souza Aguiar, referência em atendimento de emergência no Rio. Ele passou por cirurgia para retirada dos fragmentos de bala, mas, segundo a avaliação médica, teve o globo ocular esquerdo comprometido de forma irreversível e perdeu completamente a visão desse olho. O acompanhamento da família vem sendo realizado por entidades ligadas aos direitos humanos desde o episódio.

A Comissão de Direitos Humanos da Alerj está acompanhando o caso, dialogando com a equipe médica do hospital e prestando suporte psicológico e jurídico aos familiares, que se dizem abalados com a situação. Segundo a presidente da comissão, **Renata Souza**, "é fundamental garantir acompanhamento integral, investigar o ocorrido e cobrar medidas para que situações como essa não se repitam nos territórios mais vulneráveis do Rio de Janeiro".

Repercussão e próximos passos

Ainda no âmbito da operação policial, uma mulher identificada como administradora do ferro-velho foi presa em flagrante sob acusação de receptação qualificada. O episódio gerou forte comoção entre moradores da Mangueira e reacendeu o debate sobre protocolos de segurança nas ações policiais em áreas residenciais e os riscos impostos a crianças e famílias em comunidades.

A **Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro** e o Ministério Público acompanham o caso para apurar eventuais responsabilidades e aprimorar a fiscalização das operações. Organizações da sociedade civil também cobram respostas e medidas urgentes para proteger moradores, sobretudo crianças, do perigo representado por confrontos armados em áreas densamente habitadas.

A operação e suas consequências voltaram a alimentar discussões sobre o equilíbrio entre repressão ao crime e proteção dos direitos humanos na cidade. Novas reuniões entre órgãos públicos estão previstas para as próximas semanas, com vistas à revisão de condutas policiais e definição de regras mais seguras.

Fique por dentro das principais notícias sobre direitos humanos e segurança pública em localpulsebrazil.com

Leia também

Criança perde visão após tiroteio policial na Mangueira, RJ | Local Pulse Brazil