Cobertura vacinal baixa eleva risco de surto de sarampo em São Paulo
Infectologista alerta para necessidade de vigilância e vacinação homogênea.
Por Silvia Gómez · 12 de ago. de 2026, 07:35

Baixa adesão à vacinação ameaça controle do sarampo
A atual concentração de casos de sarampo na cidade de **São Paulo** acendeu um alerta em especialistas da saúde pública. Segundo o **infectologista Renato Kfouri**, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, a capital paulista corre o risco de enfrentar novos surtos enquanto a cobertura vacinal não alcançar pelo menos 95% da população — índice mundialmente recomendado para bloquear a transmissão da doença.
Atualmente, a cobertura vacinal em São Paulo gira em torno de 75%. Esse índice preocupa devido à intensa movimentação de pessoas na cidade, que recebe viajantes de diversas partes do Brasil e do mundo diariamente. "O sarampo possui uma dinâmica muito veloz de transmissão. Uma pessoa não vacinada pode transmitir o vírus por até 14 dias, inclusive antes mesmo da manifestação dos sintomas", explica Kfouri.
Medidas de vigilância são fundamentais
O controle do sarampo depende, basicamente, de dois pilares: **vacinação ampla e vigilância ativa**. Segundo Kfouri, a vigilância epidemiológica precisa estar atenta para isolar casos suspeitos e vacinar pessoas próximas ao paciente infectado, evitando que o vírus circule, principalmente em bairros com índices menores de imunização.
Em São Paulo, a concentração de 23 dos 24 casos confirmados ocorreu predominantemente na zona norte, especialmente nos bairros **Vila Medeiros** e **Vila Maria**. O epicentro da transmissão foi uma escola de educação infantil, ambiente vulnerável, já que crianças menores de um ano ainda não foram vacinadas contra o sarampo e representam a maioria dos casos graves. Algumas dessas infecções teriam ligação com casos importados de países vizinhos como Bolívia e Guatemala, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde.
Por que a homogeneidade vacinal é tão importante?
Segundo especialistas, a imunização desigual entre bairros ou grupos populacionais cria "bolsões de vulnerabilidade". Nesses locais, mesmo uma pequena queda na taxa de vacinação pode gerar um ambiente propício para o surgimento de novos surtos. "A dose de reforço, aplicada de forma geral, protege mesmo os poucos que eventualmente não respondem adequadamente às duas primeiras doses da vacina. É uma estratégia eficiente e de baixo custo para proteger toda a comunidade", destaca Kfouri.
Importação de casos segue preocupando
O Brasil ainda precisa lidar com a entrada de casos importados. Em São Paulo, alguns episódios recentes têm relação com pessoas que vieram de fora do país — cenário já visto em anos anteriores, especialmente vindos da Bolívia por transporte rodoviário. O Ministério da Saúde reforça que as equipes de vigilância estão treinadas para identificar, isolar e agir rapidamente sempre que novos casos surgem.
O que cabe ao cidadão e ao poder público
Especialistas e as autoridades de saúde reiteram: manter a carteira de vacinação em dia, fiscalizar surtos em comunidades e garantir que nenhuma região fique desassistida são ações centrais para evitar uma nova epidemia urbana de sarampo. O apelo é para que pais e responsáveis confiram as doses das crianças, busquem orientações nos postos de saúde e participem das campanhas.
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