Caso Roxana: mulher morta após agressão passou por três UPAs antes de hospitalização
Roxana Aleida, agredida pelo companheiro em São Paulo, procurou atendimento em três UPAs antes de morrer no hospital.
Por Celia Díaz · 20 de ago. de 2026, 06:04

Mulher sofre agressão e busca ajuda em três UPAs em São Paulo
A morte de **Roxana Aleida Mallqui Susara**, costureira boliviana de 28 anos, reafirma a urgência do combate à violência doméstica no Brasil. Roxana foi vítima de agressão pelo próprio companheiro, **Amilkar Jhonatan Ballesteros Bayon**, de 32 anos, dentro da residência onde moravam, na região da Ponte Rasa, zona leste de São Paulo. O caso, registrado como feminicídio, destaca ainda questões sobre o acolhimento e atendimento nas unidades de saúde para vítimas desse tipo de violência.
Cronologia do caso Roxana
- **Domingo (9):** Roxana é agredida durante festa na casa onde o casal residia.
- **Semana seguinte:** Roxana procura atendimento em duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
- **Sexta-feira (14):** O casal busca novo abrigo e são acolhidos pelo empregador.
- **Sábado (15):** Roxana apresenta dificuldade para respirar; é encaminhada à UPA Mooca.
- **Domingo (16):** Situação se agrava, ambulância do Samu leva a vítima à UPA Tatuapé.
- **Segunda-feira (17):** Devido à gravidade, é transferida para o Hospital do Tatuapé.
- **Terça-feira (18):** Roxana falece após paradas cardiorrespiratórias e agravamento do estado clínico.
Confissão e investigação
**Amilkar** confessou à polícia ter agredido a companheira após sentir ciúmes, relatando que o episódio ocorreu enquanto ambos estavam embriagados durante uma festa. Após a agressão, Roxana teria procurado o companheiro para reatar o relacionamento e, juntos, buscam alternativas de abrigo e atendimento médico. Roxana estava grávida, fato registrado pelo boletim da **Guarda Civil Metropolitana**.
O caso só chegou à Polícia Civil quando o novo empregador do casal notou os ferimentos na cabeça de Roxana e dificuldades de saúde, mobilizando uma ambulância e compartilhando detalhes com as autoridades. A prisão de Amilkar, inicialmente válida por 30 dias, foi solicitada pela Justiça após ele revelar o crime e o desejo de que a polícia não fosse informada.
Atendimento médico e desafios para vítimas
Segundo relatos prestados à polícia e ao empregador, Roxana recebeu alta verbal sem documentação das UPAs anteriormente visitadas. Já no hospital, exames comprovaram traumatismo cranioencefálico, edema cerebral e hematomas pelo corpo. Mesmo após diversas intervenções, Roxana não resistiu e foi a óbito.
A **Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo** não se manifestou até o momento sobre os atendimentos prestados nas UPAs, questão que pode abrir debate sobre protocolos de acolhimento e acompanhamento mais próximos para mulheres vítimas de agressão.
Discussões sobre feminicídio e acolhimento
O feminicídio de Roxana evidencia fragilidades na rede de proteção à mulher e o impacto da violência doméstica, tanto na saúde física quanto no acesso a serviços médicos eficazes e rápidos. O fato de a vítima não ter parentes no Brasil pode retardar a liberação do corpo, revelando outro obstáculo que mulheres migrantes enfrentam em situações extremas.
O episódio reacende o debate sobre a eficiência das políticas públicas para vítimas de violência doméstica e da necessidade de melhora no fluxo entre rede de saúde e instituições de proteção social.
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