Blind Sports transforma a mobilidade de pessoas cegas com bicicletas tandem em São Paulo
Projeto reúne voluntários e ciclistas com deficiência visual para passeios seguros na capital paulista.
Por Hugo García · 15 de ago. de 2026, 06:15

Blind Sports: mobilidade acessível sobre duas rodas
O projeto **Blind Sports** tem mudado a vida de pessoas cegas e com baixa visão nas noites de quarta e quinta-feira em São Paulo. O grupo parte da estação Marechal Deodoro, no centro da capital, e percorre avenidas como Paulista, Consolação e Rebouças em bicicletas tandem — aquelas duplas, desenhadas especialmente para permitir que dois ciclistas pedalem juntos, sendo um deles guia voluntário e o outro, pessoa com deficiência visual.
A iniciativa, que nasceu em 2020, busca garantir o direito ao esporte e à convivência urbana sem barreiras. Segundo a fundadora **Bia Santana**, de 41 anos, que perdeu a visão aos 27 por complicações do diabetes, a proposta é que todos enfrentem os desafios do trajeto igualmente. "As pessoas acham que o cego tem que ficar parado. Mas esporte é risco, equilíbrio e superação para qualquer um", afirma Bia.
Bicicletas especiais exigem treinamento e confiança
As bicicletas tandem do projeto têm dimensões maiores que as convencionais, exigindo curvas abertas, força compartilhada e comunicação intensa entre piloto e ciclista. Voluntários passam por treinamento específico no Minhocão, aprendendo desde a abordagem correta até técnicas de comando durante o percurso. Parte da preparação inclui pedalar de olhos vendados, para experimentar na pele a confiança necessária.
Para participar, é preciso formar duplas alinhando altura, peso e ritmo. A engenheira de software **Geisa Farini**, de 38 anos, relata que, após vencer o receio de entregar o controle da direção, desenvolveu maior consciência corporal e confiança no coletivo. Já para o aposentado **José Dilson Pereira dos Santos**, que perdeu a visão aos 29 anos, a experiência permitiu redescobrir paixões pela cicloviagem e fortalecer a autoestima.
Impacto social e desafios do projeto
O grupo vem crescendo e agora conta com dez tandems e cerca de 30 participantes por semana, entre ciclistas com deficiência visual, guias e equipe de apoio. Além dos passeios noturnos, o projeto organiza excursões de fim de semana para cidades vizinhas de São Paulo e promove oficinas de skate e patins adaptados.
Segundo Bia, o maior desafio está em recrutar e manter voluntários. A rotatividade é alta, mas a relação de confiança e aprendizado é transformadora, como relata **Antonio Gabriel Evangelista**, coordenador de qualidade que encontrou renovação pessoal ao atuar como guia.
O Blind Sports é financiado por doações de pessoas físicas e apoios eventuais para manutenção das bicicletas. Interessados em atuar como guia ou como ciclista podem se inscrever no site oficial do projeto, embora haja lista de espera devido ao número crescente de interessados.
Como participar e próximos passos
O projeto continua aberto a inscrições de pessoas cegas e voluntários, promovendo cada vez mais inclusão e mobilidade pelas ruas e avenidas de São Paulo, mostrando que a cidade pode ser ocupada por todos, sem exceção.
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