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Topics: Sociedade, Segurança Pública

Avenida Roberto Marinho vive onda de medo com minicracolândias e ações policiais

Moradores relatam temor crescente e criminalidade, apesar das operações e estratégias integradas das autoridades para conter furtos e uso de drogas.

Por Javier Paredes · 14 de ago. de 2026, 05:11

Medo persistente apesar das operações policiais

Moradores e comerciantes da **Avenida Roberto Marinho**, uma das vias mais conhecidas da zona sul de **São Paulo**, têm convivido diariamente com a presença de chamadas “minicracolândias” e a realização de frequentes operações policiais. Apesar de as estatísticas da **Secretaria da Segurança Pública de SP** apontarem para uma queda significativa nos índices de roubos e furtos, a sensação de insegurança permanece viva entre quem vive e trabalha no entorno da avenida.

“Nosso medo maior é de assaltos, invasão ou perseguições durante as batidas”, relata uma comerciante com anos de experiência na região da **Vila Cordeiro**. Outro relato comum entre os vizinhos é que, ainda que as viaturas da **Polícia Militar** e da **Guarda Civil Metropolitana** estejam agora mais presentes, o crime segue sem dar trégua.

Minicracolândias e desafios locais

As chamadas "minicracolândias" nada mais são do que pequenas concentrações de consumo e venda de drogas a céu aberto, que se espalharam pela **Zona Sul de São Paulo** nos últimos anos. A prefeitura e o governo estadual adotaram estratégias que incluem monitoramento por câmeras, isolamento de pontos críticos, desativação de imóveis usados para esconderijo de entorpecentes e ações sociais para encaminhar usuários de drogas a serviços da rede municipal. Segundo a prefeitura, a média diária de pessoas em situação de rua e usuários caiu de 43, em janeiro, para 19 em julho na região.

Vizinhos relatam, no entanto, que os episódios de violência e intimidação ainda são frequentes. Uma professora local, por exemplo, descreveu ter sido perseguida por um usuário, precisando da ajuda de um segurança privado para se sentir segura durante um passeio com seus animais.

Ações integradas: policiamento, assistência e tecnologia

As ações do poder público na Avenida Roberto Marinho envolvem também o uso intensivo de tecnologia. Só na avenida, há 61 câmeras de monitoramento conectadas ao sistema Smart Sampa, da Prefeitura, que permitem identificar movimentações suspeitas e acionar viaturas com rapidez. Segundo o comandante do policiamento da área, coronel **Cláudio Augusto Biagio**, "é como estar presente em muitos lugares ao mesmo tempo", o que aumenta a precisão nas respostas policiais.

Desde o início do ano, houveram:
- 2.300 prisões realizadas pela **2ª Delegacia Seccional Sul**,
- 126 armas de fogo apreendidas,
- 882 kg de drogas retirados de circulação.

Na assistência social e saúde, foram 494 encaminhamentos de janeiro a julho, muitos direcionados aos **Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)**.

Impacto no cotidiano e expectativas dos moradores

Entre os principais temores dos moradores estão as invasões de residências e o aumento do fluxo de pessoas em situação de vulnerabilidade. O “drive-thru” do tráfico, por exemplo, chegou a movimentar a rua Emboabas com grande agilidade; operações recentes reduziram este fluxo variável de maneira significativa. Já a expectativa com a Estação Campo Belo do monotrilho é que o aumento do movimento contribua para diminuir a percepção de abandono na região.

Autoridades reforçam que a solução para o problema envolve não só repressão policial, mas também estratégias integradas com assistência social e políticas de moradia. A história do músico de rua Charles da Flauta, residente ali, ilustra como a dependência química atinge diferentes perfis, reforçando o desafio de combater não apenas o tráfico, mas também suas consequências humanas.

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