TRE multa Ricardo Salles por uso irregular de IA em campanha
Decisão judicial estabelece multa por falta de transparência em propaganda eleitoral.
Por Ángel Torres · 12 de ago. de 2026, 09:37

O **Tribunal Regional Eleitoral (TRE)** de São Paulo impôs uma multa ao deputado federal **Ricardo Salles** (Novo-SP) por veicular conteúdo depreciativo contra o deputado estadual **André do Prado** (PL) em suas redes sociais. A decisão, proferida na última sexta-feira (7), enquadra a ação de Salles como propaganda eleitoral antecipada irregular, além de considerar o impulsionamento do conteúdo negativo como ilícito.
A juíza auxiliar de propaganda, **Claudia Fonseca Fanucchi**, determinou que Salles pagasse um total de R$ 10 mil em multas. O deputado, que também é candidato ao Senado, afirmou à Folha que sua campanha se baseou em verdades, declarando: "Só dissemos a verdade: ele [André do Prado] nunca foi de direita, nem jamais será". Além disso, Salles informou que já recorreu da decisão judicial.
Contexto da Controvérsia
O embate entre Salles e do Prado está ligado a uma disputa acirrada pelo espaço da direita em São Paulo, especialmente após o legado do ex-presidente **Jair Bolsonaro** (PL). A representação que resultou na multa foi apresentada pelo diretório estadual do PL, que questionou um vídeo publicado por Salles. Neste vídeo, o deputado expressa sua perplexidade em relação ao apoio que o partido deu a André do Prado para a candidatura ao Senado, em vez de a ele.
Salles aproveita a oportunidade para trazer à tona o que considera contradições na trajetória política de seu adversário, incluindo seu apoio à candidatura de **Dilma Rousseff** (PT) em 2010 e sua adesão às restrições sanitárias implementadas pelo governo de **João Doria**. Também critica a proximidade de André com o presidente do PL, **Valdemar Costa Neto**, como fatores que, segundo ele, desqualificam o deputado no campo conservador.
Decisão Judicial e Implicações
A juíza Claudia Fonseca Fanucchi destacou que a falta de uma advertência explícita no vídeo sobre o uso de inteligência artificial para produzir ou manipular as imagens feriu o dever de transparência exigido pela resolução do **Tribunal Superior Eleitoral (TSE)**. A magistrada afirmou que a autorização para impulsionamento de conteúdo não se aplica à desqualificação de adversários políticos.
Em defesa, Salles argumentou que as imagens utilizadas no vídeo eram caricaturas políticas, que deveriam ser protegidas pela liberdade de expressão. Contudo, a juíza reiterou que a legislação eleitoral exige clareza em relação à manipulação digital, mesmo que a artificialidade do material pareça evidente.
Próximos Passos
A decisão do TRE não apenas marca um momento importante na campanha de Salles, mas também levanta questões sobre a utilização de tecnologias como a inteligência artificial em campanhas eleitorais. O desdobramento deste caso deve ser acompanhado de perto, pois pode influenciar a forma como candidatos se comunicam com o eleitorado até as eleições.
Para mais informações atualizadas, visite localpulsebrazil.com.


