Restauração da Estação Leopoldina no Rio de Janeiro é adiada para 2027
Obras no prédio centenário enfrentam entraves e desocupação, com entrega agora prevista para 2027.
Por Adriana Ruiz · 12 de ago. de 2026, 07:08
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Restauração da Estação Leopoldina é postergada para 2027 no centro do Rio
A aguardada **restauração da Estação Leopoldina**, referência histórica da cidade do Rio de Janeiro, passará ainda por novos meses de espera. O prédio, que celebrou seu centenário em novembro de 2026, agora tem previsão de ser entregue somente em 2027. O adiamento foi confirmado após entraves relacionados à desocupação do terreno e dificuldades logísticas enfrentadas pelo governo do estado.
Contexto histórico e atual das obras
Inaugurada em 6 de novembro de 1926, a Estação Leopoldina – oficialmente Estação Barão de Mauá – foi desenhada pelo arquiteto escocês **Robert Prentice** e integra o patrimônio histórico da capital fluminense. A restauração do prédio está avaliada em cerca de R$ 80 milhões e contempla recuperação estrutural completa, revitalização e modernização de ambientes, tudo coordenado pela **Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar)**.
Entraves para a retirada dos bens e aduelas
A desocupação do local, de responsabilidade do governo estadual, ainda não foi concluída. O terreno abrigava composições antigas de trem e milhares de aduelas de concreto destinadas à expansão do metrô. Após decisão judicial, a desobstrução precisa ser finalizada até o fim de agosto, sob pena de multa diária de R$ 30 mil, limitada a R$ 3 milhões. Para tanto, a **Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central)** contratou a empresa COL (Central de Logística Ltda.) pelo valor de R$ 2,87 milhões, visando a retirada dos veículos e demais materiais.
As 6.672 aduelas – grandes peças de concreto pesando até dez toneladas – terão um tratamento específico. O estado argumentou que a retirada pode levar até um ano e exigirá cerca de R$ 5 milhões em investimentos extras, devido à logística complexa do procedimento.
Impacto no cronograma e no entorno
A obra, inicialmente retomada no fim de 2023 após um período de paralisação ocasionado por divergências contratuais, chegou a ser anunciada para 2026, como parte das comemorações pelos cem anos do edifício. No entanto, a necessidade de um restauro criterioso e os entraves com a desocupação ocasionaram a revisão dos prazos.
Além da restauração da estação, o plano de revitalização do entorno inclui a construção da **Fábrica do Samba Rosa Magalhães**, um complexo voltado para as escolas de samba da Série Ouro. O projeto de R$ 156 milhões prevê 14 galpões, oficinas, áreas administrativas, espaços de montagem e a urbanização de 14 mil metros quadrados para eventos e convivência.
Próximos passos e repercussão local
Com a previsão de término empurrada para 2027, moradores e frequentadores do Centro aguardam o resgate definitivo do importante marco ferroviário. Os esforços agora se concentram na resolução logística da retirada das aduelas e dos bens para que as equipes de restauro consigam avançar nos trabalhos de preservação.
A requalificação de bairros tradicionais cortados pela linha férrea – conhecidos popularmente como Zona da Leopoldina – é vista por muitos especialistas como fundamental para o desenvolvimento urbano carioca e fortalecimento do patrimônio cultural brasileiro.
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