PGR aprova plano do governo do RJ para reocupação de comunidades dominadas
Após oito meses parado, plano para retomada de áreas com atuação de facções recebe sinal verde da PGR, mas segue aguardando homologação do STF.
Por David Ortega · 20 de ago. de 2026, 08:22

Plano de reocupação recebe aval da Procuradoria-Geral da República
A **Procuradoria-Geral da República (PGR)**, liderada por **Paulo Gonet**, manifestou anuência, nesta quinta-feira (19), ao plano do **governo do Rio de Janeiro** para reocupação de comunidades fortemente marcadas pela presença do tráfico e de milícias. A posição da PGR atende determinação do ministro **Alexandre de Moraes**, do **Supremo Tribunal Federal (STF)**, dentro do contexto da **ADPF 635**, conhecida como ADPF das Favelas.
Entenda o contexto: plano, comunidades e histórico
O plano do governo do Rio foi apresentado inicialmente em dezembro como projeto-piloto para as comunidades de **Rio das Pedras, Muzema e Gardênia**, região que compõe o chamado "Cinturão de Jacarepaguá", local historicamente marcado pela presença de milícias e disputa com o Comando Vermelho. As operações simultâneas planejadas têm como objetivo retomar o controle das áreas e interromper o deslocamento de suspeitos entre os bairros.
A necessidade de um plano sólido para estas regiões aumentou, especialmente após a operação policial no Complexo da Penha, em outubro, que resultou em 122 mortes e entrou para a história como uma das ações mais letais do país.
Estrutura e críticas ao plano de reocupação
O documento apresentado possui cerca de 200 páginas e envolve ações integradas de **segurança pública, infraestrutura e urbanismo**. Entre as propostas está a presença de comitês populares e instituições como a Defensoria Pública e o Ministério Público dentro das comunidades, garantindo direitos civis junto às ações policiais.
Apesar do suporte da **Defensoria Pública** e do **Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP)**, especialistas cobram maior transparência e detalhamento do plano, criticando a falta de clareza sobre como as operações serão realizadas e de onde virão os recursos necessários. Até agora, mesmo com as anuências, o documento aguarda homologação do STF para ser efetivamente implementado.
Declarações e próximos passos
O atual secretário de Segurança Pública do Rio, **Victor dos Santos**, diz que a entrada em vigor do plano depende da homologação pelo Supremo. "Estamos aguardando a decisão do STF para avançar nas ações previstas," afirmou Santos.
Contudo, especialistas apontam que a ausência de homologação não deveria ser impeditivo, visto o cenário crítico de violência nas comunidades e a urgência por soluções efetivas.
Impacto local e expectativa dos moradores
Moradores das regiões envolvidas aguardam resultados práticos, já que o plano está há oito meses sem efetiva execução. A expectativa é que as ações tragam maior segurança e impulsionem outros serviços públicos, como saúde e educação, não apenas medidas repressivas.
Gestores públicos, entidades civis e a sociedade acompanham atentamente a tramitação do plano no STF, que pode servir de modelo para outras áreas urbanas no Brasil em situação semelhante.
Para mais informações atualizadas sobre segurança pública e políticas sociais, acesse localpulsebrazil.com


