Linha 20-Rosa do Metrô de SP prevê desapropriações em área tombada dos Jardins
Projeto da Linha 20-Rosa do metrô deve afetar imóveis de alto padrão nos Jardins, gerando debate entre moradores e autoridades.
Por Andrés García · 17 de ago. de 2026, 08:49

A futura Linha 20-Rosa do Metrô de São Paulo, que promete ligar a zona oeste à zona sul da capital e municípios do ABC Paulista, avança para a fase de desapropriação em áreas nobres da cidade. Um dos destaques do traçado, aprovado pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), é a previsão de demolição de cerca de 7,5 mil m² em imóveis comerciais e residências de alto padrão localizados nos tradicionais bairros dos Jardins, região tombada do município.
Debate sobre o traçado e mobilização dos moradores O anúncio da expansão e o avanço do projeto geraram reação imediata de associações de bairro dos Jardins. Esses grupos questionam a escolha do traçado da linha e defendem que a expansão priorize a Avenida Brigadeiro Faria Lima, região de intenso fluxo empresarial, ao invés de avançar para áreas estritamente residenciais e com tombamento urbanístico. A principal crítica dos moradores diz respeito à preservação arquitetônica e à manutenção do perfil dos bairros-jardim, conhecidos por suas restrições a imóveis altos e grande valorização imobiliária.
Para respaldar suas demandas, os moradores chegaram a contratar a consultoria do ex-presidente do Metrô de São Paulo, Sergio Avelleda. Ele endossou a sugestão de um novo traçado com mais estações na Faria Lima. Entretanto, segundo nota oficial do **Metrô de São Paulo**, o roteiro mantido é o apresentado no anteprojeto de engenharia, com justificativa técnica baseada em integração entre linhas, demanda projetada de passageiros e estudos ambientais apresentados em audiências públicas.
Detalhes das desapropriações e impacto Entre as áreas atingidas estão imóveis na Rua Sampaio Vidal, tradicional via sem saída dos Jardins, que reúne casas residenciais e comércios. O local é classificado como área tombada, o que dificulta alterações urbanísticas e amplia a sensação de insegurança entre os proprietários. Outros pontos no entorno da Avenida Rebouças também serão afetados, especialmente com a expansão da estação Fradique Coutinho, que promete transformar ainda mais o perfil da região e torná-la um novo polo corporativo paulistano.
O **Governo do Estado de São Paulo** afirma que todas as etapas seguem a legislação vigente sobre desapropriações, enfatizando que avaliações de imóveis e indenizações serão feitas de acordo com o valor de mercado e depositadas em conta bancária. Caso haja discordância, os casos podem ser encaminhados à Justiça.
Previsão de obras e próximos passos O projeto básico da Linha 20-Rosa está em elaboração, com entrega prevista ainda este ano. A partir dele, será possível lançar as licitações para projetos executivos e início das obras. A previsão inicial é de até oito anos para conclusão. Até lá, o processo de desapropriação – considerado complexo e demorado – seguirá seu curso, com tentativa de acordos amigáveis e, em última instância, via judicial.
A nova linha deve contar com aproximadamente 32,6 quilômetros de extensão, transportando diariamente cerca de 1,3 milhão de passageiros ao conectar bairros como Lapa, Moema, Alto de Pinheiros, Saúde, além de cidades do ABC paulista. A proposta recebeu a licença ambiental prévia em 2024, mas a possibilidade de mudança significativa em áreas históricas mantém o debate aceso entre moradores, urbanistas, autoridades e o poder público.
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