Haddad aciona Ministério Público contra Jovem Pan por fake news envolvendo sua esposa
Candidato solicita investigação após emissora divulgar frase falsa e comentários sexistas.
Por Juan Carlos · 26 de ago. de 2026, 05:34

O candidato ao governo de São Paulo, **Fernando Haddad (PT)**, protocolou uma solicitação junto ao **Ministério Público Eleitoral (MPE)** para investigar a **Jovem Pan**. O pedido se refere à divulgação de uma frase falsa atribuída ao petista e a comentários de teor sexual envolvendo sua esposa, **Ana Estela Haddad**, durante o programa "Quem Tem Razão?", apresentado em 14 de agosto.
Contexto e motivações do pedido Na ocasião, a Jovem Pan reproduziu uma alegação mentirosa de que Haddad teria dito que, após as eleições, sua esposa "dormiria com o próximo governador de São Paulo". O episódio rendeu, ainda, comentários inapropriados dos apresentadores Oscar Filho e Paula Nobre, fazendo referência ao adversário **Tarcísio de Freitas** e sexualizando a figura da esposa do candidato.
Segundo a defesa de Haddad, composta pelos advogados **Hélio Freitas de Carvalho da Silveira** e **Maíra Calidone Recchia**, a situação vai além de um ataque político, pois expõe Ana Estela como objeto de disputa sexual e reforça a desinformação durante o período eleitoral.
A resposta da Jovem Pan Após contestação da equipe jurídica de Haddad, a Jovem Pan realizou uma correção pública, lida ao vivo pelos apresentadores do "Quem Tem Razão?" e também no "Jornal Jovem Pan", que possui alcance nacional. Ainda assim, diante da repercussão negativa, o candidato pede investigação para apurar responsabilidades pela veiculação das informações falsas e ataques pessoais.
Em nota, o diretor jurídico da emissora, **Frederico Mansur**, informou que a Jovem Pan retirou imediatamente as publicações e alinhou uma retratação com a equipe de Haddad. Ele destacou que o programa tem caráter de entretenimento, não jornalístico, e alegou cumprimento de todas as exigências feitas pela defesa do petista.
Providências pedidas à Justiça A manifestação protocolada ao MPE solicita:
- Gravação integral do programa exibido no dia do episódio;
- Dados de audiência e alcance da transmissão;
- Oitiva dos apresentadores e responsáveis pela direção da Jovem Pan;
- Análise quanto à possibilidade de abuso dos meios de comunicação;
- Investigação de possível prática de crime conforme artigo 323 do Código Eleitoral, que trata de divulgação sabidamente inverídica na campanha;
- Consideração para agravamento de pena devido à abordagem sexista contra mulher.
A defesa de Haddad ressalta que a simples remoção do conteúdo não elimina a necessidade de apuração detalhada, uma vez que a fake news já circulava nas redes e poderia impactar o cenário eleitoral paulista.
Próximos passos e repercussão O pedido de investigação marca mais um capítulo nos debates sobre fake news e responsabilização midiática durante as eleições no Brasil. Casos como este acendem o alerta sobre a importância de apuração rigorosa de informações e respeito às figuras públicas e familiares.
A Jovem Pan afirmou não ter ciência de eventual processo no Ministério Público, mas confirmou ter sido acionada junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo.
A expectativa é que o MPE abra procedimento para investigar o episódio, reafirmando o compromisso das instituições brasileiras contra a desinformação e o discurso misógino nos meios de comunicação.
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