A ex-volante Cidinha, que brilhou nos gramados pelo São Paulo Futebol Clube e pela Seleção Brasileira Feminina, hoje leva uma rotina diferente: trabalha como vendedora em um supermercado, em Campo Grande (MS). Aos 49 anos, a atleta integra um grupo de ex-jogadoras que ajudaram a construir a história do futebol feminino no país, mas hoje enfrentam desafios muito distintos do passado esportivo.

Da infância no interior ao título brasileiro

Cidinha começou a jogar bola ainda criança, em Três Lagoas (MS), e teve sua grande oportunidade em 1996. Na final da Copa Kaiser, no antigo estádio Elias Gadia, seu talento chamou atenção do técnico José Duarte, então comandante da seleção nacional. O convite não demorou e, ao final daquele ano, ela já integrava o elenco da Seleção.

Em 1997, pelo São Paulo, Cidinha fez parte do time-base considerado referência, ao lado de jogadoras como Formiga e Sissi. Protagonista da campanha invicta, participou da conquista do único título brasileiro do clube no futebol feminino, marcando dois gols na vitória por 4 a 0 sobre a Portuguesa, em 30 de novembro daquele ano. "São boas lembranças, uma passagem vitoriosa onde conquistamos todos os títulos. É algo inesquecível, vou guardar para sempre", conta Cidinha.

O olhar para o futebol feminino ontem e hoje

No auge dos seus tempos de atleta, Cidinha enfrentou batalhas dentro e fora de campo. "A realidade era totalmente diferente, haviam muitas dificuldades, muito preconceito e pouquíssimo apoio em patrocínios. A gente jogava por amor mesmo", recorda. Ainda assim, participou de competições importantes como a Copa do Mundo de 1999, onde o Brasil terminou em terceiro, e das Olimpíadas de 2000.

A ex-volante acompanha de perto a evolução da modalidade, especialmente após o anúncio do Brasil como país-sede da Copa do Mundo Feminina de 2027. "Fico feliz de ver como melhorou. Vai ser um privilégio sediar o Mundial. Estarei na torcida!", projeta.

Nova vida e torcida pelo São Paulo

Hoje, em uma casa simples na capital sul-mato-grossense, Cidinha abraça o novo cotidiano com gratidão, mas não perde o vínculo com o futebol. Ela acompanha o desempenho do São Paulo, especialmente pela expectativa do bicampeonato nacional diante do Corinthians. O jogo de ida da final será neste sábado (26) na Neo Química Arena, às 16h30. "As meninas têm tudo para se sagrar campeãs. Meu palpite é que vencem a ida e seguram na volta!", aposta, de olho no duelo de 3 de outubro, no Morumbis.

O legado de Cidinha e a esperança para a nova geração

A história de Cidinha é símbolo de persistência e paixão, inspirando a nova geração de atletas. Apesar das dificuldades pós-carreira, seu legado permanece vivo entre fãs e ex-companheiras. O reconhecimento e valorização dessas pioneiras seguem fundamentais para o desenvolvimento do futebol feminino no Brasil.

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