Agentes de segurança se lançam na corrida eleitoral do Rio

Pelo menos 84 agentes da segurança pública do Rio de Janeiro se afastaram de seus cargos para concorrer a mandatos nas Eleições 2026. A lista inclui policiais militares, delegados da Polícia Civil e bombeiros, muitos deles já conhecidos do público por suas trajetórias polêmicas ou heroicas, e por ampla presença nas redes sociais.

Segundo levantamento do Departamento-Geral de Gestão de Pessoas, 51 integrantes da Polícia Militar, 20 servidores da Polícia Civil (sendo 10 delegados e 10 agentes), além de 13 bombeiros, oficializaram afastamento para disputar cargos eletivos em diferentes níveis. O fenômeno ganha destaque pelo crescente protagonismo das forças de segurança na política, marcado por perfis que migram "da farda ao palanque" e tentam capitalizar notoriedade adquirida nas corporações.

Nomes de destaque e trajetórias marcantes

Entre os concorrentes, figuram personagens como o coronel João Jacques Soares Busnello (Missão), ex-sniper do Bope e candidato ao governo do estado, e o ex-secretário da PM, coronel Marcelo Menezes (PL), que concorre a deputado estadual. Busnello já havia tentado se eleger em 2018 e 2022, e declarou patrimônio de quase R$ 1 milhão à Justiça Eleitoral neste ciclo. Seu vice, Rafa Luz, é bombeiro militar e também declarou bens de R$ 900 mil.

Na Polícia Civil, o ex-secretário Felipe Curi (PP) busca vaga na Câmara Federal com patrimônio acima de R$ 2,4 milhões. Ele sobreviveu a emboscadas, liderou operações de grande repercussão e seu nome chegou a ser cogitado como candidato ao governo ou ao Senado. Outro delegado de destaque é Marcus Vinicius de Almeida Braga (MDB), que já comandou a Secretaria Estadual de Polícia Civil e declarou R$ 253 mil em bens.

Influência digital e presença nas urnas

Chama atenção o número de candidatos com grande apelo nas redes sociais. O cabo Gabriel Fernandes de Oliveira Pereira (Avante) estreia na política com quase 2 milhões de seguidores no Instagram, enquanto o subtenente Batata da Madsen (PL) é famoso por publicar vídeos virais sobre operações policiais, além de possuir patrimônio de mais de R$ 600 mil. Entre as mulheres, a major Fabiana Silva de Souza (Avante) tenta renovar mandato usando o slogan "a mulher na segurança".

Polêmicas, investigações e diversidade de experiências

Nem todos os perfis são marcados apenas por feitos profissionais. O coronel reformado Luiz Henrique Monteiro Barbosa (Avante), ex-secretário de Ordem Pública de Volta Redonda, foi investigado em 2025 por suposto envolvimento em esquema de venda fraudulenta de carteiras de habilitação. Além das polêmicas, outros candidatos acumulam tentativas frustradas de alcançar cargos eletivos.

Tendência nacional

O caso fluminense reflete uma tendência nacional de protagonismo das forças de segurança na política, fenômeno que ganha contornos próprios também em outros estados, como em Curitiba e Paraná, onde policiais e bombeiros vêm ocupando espaço nas chapas eleitorais nos últimos ciclos.

A presença crescente de agentes de segurança nas urnas indica uma mudança nos perfis buscados pelo eleitor, assim como no discurso predominante nas campanhas, que passam a abordar temas como segurança pública, combate ao crime e fortalecimento das corporações.

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