Novo autódromo do Rio: projeto em Guaratiba permanece sem data definida

Dez anos após a realização das Olimpíadas e do fechamento definitivo do tradicional Autódromo Nelson Piquet, na Barra da Tijuca, a cidade do Rio de Janeiro ainda enfrenta incertezas quanto à construção de uma nova pista. O antigo circuito, palco de grandes eventos como a Fórmula 1, foi demolido em 2012 para dar lugar ao Parque Olímpico. Naquela ocasião, um compromisso entre a Prefeitura do Rio e o Ministério Público previa a criação de um novo autódromo, promessa até hoje não cumprida.

Caminhos percorridos até Guaratiba

Ao longo desses dez anos, diferentes locais foram cogitados para receber o novo complexo automobilístico:

  • 2013: A proposta original era construir a pista em Deodoro, área do Exército, com projeto assinado por Hermann Tilke, renomado designer internacional de autódromos. Entretanto, a presença de explosivos no solo, remanescentes de um incêndio em fábrica de munições, impediu a realização da obra.
  • 2019: Outra tentativa foi feita durante a gestão de Marcelo Crivella, que, com apoio do então presidente Jair Bolsonaro, sugeriu a Floresta do Camboatá. Esse projeto esbarrou no impedimento ambiental gerado pela área de Mata Atlântica, levando a ação judicial para barrar o desmatamento. A iniciativa acabou sendo cancelada.

Agora, em novembro de 2024, uma nova esperança surgiu: a escolha do bairro Guaratiba, na Zona Oeste, para receber o circuito. O terreno, que já foi cogitado para eventos como a Jornada Mundial da Juventude, deverá abrigar um autódromo moderno, com traçado de 4,71 km, desenhado pela Driven International e orçado em R$ 1,2 bilhão.

O que falta para o projeto sair do papel?

Segundo a Genial Investimentos, responsável pela execução, o projeto ainda está em fase de licenciamento ambiental, etapa que depende de aprovações legais e estudos de impacto. Sem essa autorização, não há previsão para o início das obras. Toda a construção será bancada pela iniciativa privada, por meio de uma Operação Urbana Consorciada: investidores adquirem um "bônus urbanístico" que permite construções de maior porte em outras regiões, privilegiando principalmente a Barra da Tijuca.

O acesso ao novo complexo será pela Avenida Dom João VI, e o projeto prevê soluções de drenagem para lidar com o histórico de alagamentos na região, agravados por temporais passados, como o da Jornada Mundial da Juventude em 2013.

Impacto e expectativa

A ausência de um autódromo oficial no Rio ainda é sentida por pilotos e fãs do automobilismo. Com a demolição do circuito original, grandes eventos automobilísticos ficaram restritos a outras cidades brasileiras. A entrega do novo projeto em Guaratiba pode recolocar o Rio de Janeiro no circuito das principais competições nacionais e internacionais do esporte.

No entanto, a indefinição sobre quando – e se – o projeto será finalmente executado segue alimentando o debate sobre o legado olímpico e as promessas de desenvolvimento urbano na cidade.

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