Tragédia em Petrópolis comove comunidade de Belo Horizonte

Um grave acidente envolvendo um ônibus de turismo na descida da serra de Petrópolis, na manhã de domingo (16), deixou dez mortos e mobilizou os moradores da Vila Acaba Mundo, favela localizada na região centro-sul de Belo Horizonte (MG). O coletivo, que transportava moradores e vizinhos da comunidade para uma excursão de bate e volta à praia de Copacabana, tombou no km 91 da BR-040 por motivos ainda sob investigação.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente ocorreu por volta das 4h30. Das dez vítimas fatais, todas mulheres, nenhuma era da Vila Acaba Mundo, mas pelo menos dez moradores da comunidade foram hospitalizados após o ocorrido. Ao todo, sete adultos e cinco crianças da favela estavam no ônibus.

Busca por informações e mobilização comunitária

Assim que a notícia do acidente circulou, três moradores de Belo Horizonte seguiram até o Rio de Janeiro em busca de detalhes sobre o estado de saúde dos vizinhos. Eles percorreram hospitais como o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (Duque de Caxias), além de unidades médicas em Petrópolis e na capital fluminense. A vice-presidente da Associação de Moradores, Paola Vielale Fileto Tassini, relatou que as informações foram compartilhadas em grupos de WhatsApp do bairro, trazendo alívio ao confirmarem que os feridos da comunidade, entre eles uma mãe e seus quatro filhos, estavam hospitalizados, mas fora de risco grave.

Devido à tragédia, um evento infantil que seria realizado no domingo na Vila Acaba Mundo foi cancelado. "Aqui todos são amigos ou primo de alguém", pontou Paola ao comentar o abalo emocional vivenciado pelos moradores.

Ônibus operava de forma clandestina

O ônibus envolvido na tragédia partiu de Belo Horizonte com destino ao Rio de Janeiro, operado sob o nome Estrela Guia Turismo. No entanto, segundo nota da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o veículo de placa AKY-3454 não tinha autorização para transporte interestadual de passageiros e está registrado em nome de outra empresa, também sem habilitação regular junto à ANTT. A agência confirmou que se trata de um caso de transporte clandestino de passageiros.

A Estrela Guia Turismo declarou pesar pelas vítimas e informou estar colaborando com as investigações, além de prestar apoio aos familiares dos afetados. A empresa não respondeu sobre as irregularidades apontadas pela ANTT.

Impacto e próximos passos

A tragédia expôs novamente a insegurança de viagens sem regularização adequada, em especial na oferta de excursões populares. O caso está sendo investigado pelas autoridades e reforça a importância de fiscalização do transporte rodoviário.

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